O compositor britânico John Tavener, de 69 anos, morreu na sua residência em Dorset, no sudoeste de Inglaterra, na terça-feira, escreve a agência Lusa.

O compositor, um dos mais importantes do último século no Reino Unido, morreu «placidamente» na sua residência, localizada em Child Okeford.

O responsável da editora Chester Music, James Rushton, descreveu o compositor, conhecido pela sua grande espiritualidade, expressa em particular em obras de música sacra, como «uma das mais inspiradas e singulares vozes na música nos últimos 50 anos».

«O seu trabalho é uma das contribuições mais significativas para a música clássica do nosso tempo», sentenciou.

«Para todos os que tiveram a sorte de o conhecer, John [Tavener] era um homem de profundas crenças, de grande afetuosidade, lealdade e humor, que fará muita falta», disse.

De saúde delicada, Tavener sofreu em 2007 sofreu em enfarte que o obrigou a estar numa unidade de cuidados intensivos durante quatro meses.

Padecia de Síndrome de Marfan, uma desordem do tecido conjuntivo, com impacto ao nível cardiovascular. Teve um acidente vascular cerebral aos 35 anos, sofreu uma cirurgia cardíaca aos 47, e um ataque cardíaco aos 63.

No seu site a «doença» merece uma entrada própria, onde a dor crónica, os cuidados intensivos, por longos períodos, e paliativos são acompanhados de universos musicais que ouvia a cada etapa e associa à sobrevivência: a polifonia franco-flamenga do mestre do século XVI Josquin Desprez, a síntese do barroco de Johann Sebastian Bach e de Georg Frederic Handel, o rigor do classicismo nas missas de Joseph Haydn, o romantismo das Sinfonias de Anton Bruckner, em particular a 9ª.

Tavern iniciou a carreira na década de 1960, na Apple Records, onde gravavam os Beatles, e foi um dos compositores contemporâneos eruditos cuja música se popularizou entre um público mais alargado.

Em 1992, a composição para violoncelo e cordas «The Protecting Veil» esteve durante várias semanas nos lugares superiores das tabelas de êxitos.

Outras composições populares de Tavener, que extravasaram o meio estrito da música erudita foram «A New Beginning» - interpretada na Millenium Dome, em Londres, na passagem de ano de 1999 para 2000 -, «Eternity's Sunrise», ou «The Lamb», sobre o poema de William Blake.

Esteve nomeado para os Prémios Mercury da Música por três vezes, entre 1992 e 1997, e foi ordenado cavaleiro, com o título de Sir, concedido pela rainha Isabel II de Inglaterra, em 2000.

Tavener converteu-se à Igreja Ortodoxa Russa em 1977 e via a música como uma forma de atingir o divino, como afirmou.

Uma das composições de Tavener, «Song for Athene», foi interpretada nas exéquias de Diana, Princesa de Gales, em 1997.

No passado verão o Festival Internacional de Manchester estreou três composições de sua autoria.