O álbum de Gisela João, editado no ano passado, venceu por unanimidade o Prémio José Afonso 2014, tendo o júri considerado que a fadista é «a melhor voz que já apareceu depois de Amália», foi esta segunda-feira divulgado.

«Talvez não seja exagero considerar Gisela João a melhor voz que já apareceu depois de Amália», afirma o júri, citado pela Câmara da Amadora, que instituiu o prémio, em comunicado.

«Sem prejuízo da qualidade reconhecida a vários outros intérpretes de exceção, considera o júri que a qualidade ímpar da voz de Gisela João, cheia e profunda, a afinação imaculada em todos os registos, a naturalidade, sem qualquer esforço, com que interpreta, quer os temas mais ágeis quer os mais líricos, fazem da cantora, uma das mais lídimas representantes do fado nos nossos dias», escreve o júri, referindo-se à genuinidade da cantora, numa citação feita pela Câmara da Amadora.

O júri considerou que o álbum «Gisela João», produzido por Frederico Pereira, é o «culminar de toda uma excelente série de discos e novas vozes que têm aparecido no fado na última década».

O álbum de Gisela João, editado pela Valentim de Carvalho, é composto por temas do repertório de Amália Rodrigues, falecida em 1999, como «Sei finalmente», e de outras intérpretes como «Sou tua», de Flora Pereira, ou «Voltaste», gravado por Florência, ao lado de inéditos como «Vieste do fim do mundo», e foi considerado no ano passado, pela revista Blitz, como um dos álbuns do ano.

O álbum «Gisela João» levou a melhor da lista dos seis finalistas e da qual também faziam parte os álbuns «Raiz», de Cuca Roseta, «Mundo Pequenino», dos Deolinda, «Terra Seca», de Mário Laginha, «Az», dos Azeitona, e «Contramão», de Pedro Abrunhosa, que foi distinguido com o Prémio Maestro Pedro Osório, pela Sociedade Portuguesa de Autores.

O júri foi constituído pelo vereador da Cultura da Amadora, António Moreira, a pianista Olga Prats, o músico Sérgio Azevedo, e a Chefe da Divisão de Intervenção Cultural, Vanda Santos. O prémio foi instituído em 1988 e é atribuído anualmente pela Câmara da Amadora, tendo em conta um álbum «cujos temas tenham como referência a Cultura e a História Portuguesas», refere a câmara.