O vibrafonista norte-americano Bobby Hutcherson, considerado um dos últimos nomes históricos do jazz naquele instrumento, morreu na segunda-feira, aos 75 anos, em Montara, na Califórnia (EUA), revelou o jornal The New York Times.

O músico, que morreu em consequência de um efisema, fez-se notar a partir dos anos 1960, em Nova Iorque, por ter conseguido fazer notar a sonoridade do vibrafone dentro das tradicionais formações de jazz e por ter diversificado a linguagem do próprio instrumento.

Tendo atuado várias vezes em Portugal - no Estoril Jazz e Guimarães Jazz, na Casa da Música e na Culturgest, por exemplo -, Bobby Hutcherson editou mais de quarenta álbuns, o primeiro dos quais enquanto líder, em 1965, intitulado "Dialogue".

Em 1966 editou "Components", que inclui o tema "Little B's Poem", um dos mais conhecidos do repertório e que foi escrito a pensar no filho, na altura com três anos.

Nascido em Los Angeles, em 1941, Bobby Hutcherson teve aulas de piano, mas escolheu o vibrafone, depois de ter tido uma epifania ao ouvir uma gravação do vibrafonista Milt Jackson, numa loja de discos.

No obituário, o New York Times destaca o estilo "luminescente e fluído" do músico - que também tocava marimba - e recorda a ligação próxima à editora Blue Note, entre as décadas de 1960 e 1970, que fez com que esta apostasse mais no experimentalismo.

Depois de ter editado noutras casas discográficas, Bobby Hutcherson voltou à Blue Note já mais recentemente, onde editou "Enjoy The View", em 2014, com Joey DeFrancesco, David Sanborn e Billy Hart.

Em 1986, participou no filme "Round Midnight", de Bertrand Tavernier, ao lado do saxofonista Dexter Gordon e do pianista Herbie Hancock.