As exéquias da fadista Beatriz da Conceição, falecida na quinta-feira aos 76 anos, em Lisboa, realizam-se no domingo à tarde em Lisboa, disse à Lusa um familiar.

O velório da fadista realiza-se na basílica da Estrela, em Lisboa, no domingo a partir das 14:00, onde na segunda-feira, às 16:00 é celebrada missa de corpo presente, seguindo-se o funeral para o cemitério do Alto S. João, onde se realiza a cerimónia de cremação, disse a mesma fonte.

“Muito querida por toda uma geração de fadistas, Beatriz da Conceição é uma referência e inspirou até alguns artistas que se dedicaram ao fado por sua causa”, afirma o Museu do Fado, no seu “site”.

“Genuína e irreverente, Beatriz da Conceição fica gravada na memória do fado e no coração de todos quantos a ouviram”, acrescenta o Museu.

A Associação Portuguesa Amigos do Fado, em comunicado enviado à Lusa, refere-se à fadista como “uma intérprete indomável, com uma repertório de exceção, que conquistou grande destaque no meio fadista pela sua interpretação inimitável e única”.

“Autêntica, voz de um povo, através dos seus poetas, como Vasco de Lima Couto, Ary dos Santos, Artur Ribeiro ou João Dias, entre outros, Beatriz da Conceição foi uma estilista que influenciou gerações e deixou uma escola”.

A organização Baile da Rosa, que se realiza anualmente no Porto, cidade onde a fadista nasceu a 21 de agosto de 1939, em comunicado afirma que Beatriz da Conceição foi “uma das mais extraordinárias fadistas de sempre”. Beatriz da Conceição foi “a última diva”, remata a organização

Beatriz da Conceição Mendes Lage iniciou a carreira em 1959 e gravou o primeiro disco, um EP, há 50 anos, intitulado "Fui por Alfama".

“Ovelha negra”, "Dei-te um beijo e vivi", “As meninas dos meus olhos”, “Meu corpo”, “Lisboa da cor da ponte”, “Cantei, passou”, “Dei-te um nome em minha cama”, “Mini fado”, “Balada das mãos ausentes”, “Muito embora o querer bem”, “Três santinhos populares”, “John português”, "Eu nasci amanhã" ou “Sou um fado desta idade”, são algumas das suas criações que foram êxitos.

Em 1968, o jornal A Voz de Portugal proclamou-a “divina”.

Sobre a fadista escreveu Lima Couto (1923-1980): “É uma voz que não precisa de procurar nada, é tão maravilhosamente autêntica que toma conta de nós no primeiro instante da palavra”.

O poeta escreveu ainda, “por tudo isto, quando a ouvi cantar um poema que a vida me fez sofrer, eu senti, com alegria, que já estava certo na alma do meu Povo”.

O maestro Paul van Nevel, fundador do Huelgas Ensemble, que gravou "Les larmes de Lisbonne/Tears of Lisbon" com Beatriz da Conceição, em 1996, realçou, no texto desse álbum, "a força contida" da fadista, afirmando que a sua interpretação é de uma tal tristeza emotiva, que consegue imprimir poesia "mesmo aos silêncios entre as palavras e versos".