Teresa Salgueiro e Rodrigo Leão recordam Francisco Ribeiro
Cristina Ribeiro, irmã do músico, disse à Lusa que Francisco Ribeiro deixa muitos inéditos
Por: Redacção/ PO | 2010-09-16 12:50
O músico Francisco Ribeiro, que morreu na terça-feira aos 45 anos, tinha uma «personalidade brilhante» e dele
resta agora a música, a cantora Teresa Salgueiro, antiga vocalista dos Madredeus, à agência Lusa.
Francisco Ribeiro
morreu na terça-feira, aos 45 anos, vítima de cancro, meses depois de ter editado o álbum «A junção do bem», com um novo projecto
que liderava, os Desiderata.
«Tinha a maior admiração por ele e é lamentável que tenha partido muito jovem. Deixou-nos
a sua música», disse a cantora, recordando a «personalidade brilhante. Onde havia sempre festa e alegria».
Rodrigo
Leão: «Era um músico extrtaordinário»
O músico Rodrigo Leão lamentou o desaparecimento do violoncelisa Francisco
Ribeiro, com quem trabalhou nos Madredeus. Em declarações à Lusa, o músico sublinha a perda «de um músico extraordinário»,
que estava a relançar a carreira.
«Era um músico extraordinário e um grande amigo com um talento fantástico. É uma
injustiça muito grande agora que estava tudo bem encaminhado, era o princípio de uma nova fase para ele», sublinhou Rodrigo
Leão.
Perfil
Francisco Ribeiro passou pela Academia de Música de Santa Cecília, estudou violoncelo
e integrou os Madredeus a convite de Pedro Ayres Magalhães, permanecendo no grupo até 1997.
Colaborou posteriormente
no projecto Os Poetas e participou em parcerias dispersas, antes de rumar ao Reino Unido, onde se licenciou em composição,
aperfeiçoou estudos em violoncelo e integrou a Stroud Symphony Orchestra e a Gloucester Symphony Orchestra.
Na biografia
«Madredeus - Um futuro maior» (1995), o autor, Jorge P. Pires, escreveu que a formação de Francisco Ribeiro foi desde muito
cedo «inculcada pelos prazeres do canto lírico, da poesia (...) e da música clássica, com especial predilecção pelo período
barroco».
«A família de Francisco descendia de italianos que se haviam instalado em Portugal no século XIX, gente
apaixonada pelo teatro e o espectáculo que havia conservado esse gosto ao longos das sucessivas gerações», lê-se na biografia.
Regressou
a Portugal em 2006 disposto a trabalhar no muito que compôs enquanto esteve em Inglaterra, editando em 2009 o álbum «A junção
do bem», que relançaria a carreira.
Em Novembro de 2009, Francisco Ribeiro contou à Lusa que o nome do projecto Desiderata
recuperava o título de um poema do norte-americano Max Erhmann, que fala sobre o que desejamos para atingir a felicidade.
«No
meu caso o que eu mais desejo, além daqueles valores universais de amor e felicidade, é conseguir juntar um grupo de pessoas
e fazer um disco. É tão simples quanto isto», disse.
Cristina Ribeiro, irmã do músico, disse à Lusa que Francisco
Ribeiro deixa muitos inéditos.
O corpo de Francisco Ribeiro será cremado no Cemitário do Oliveia esta quinta-feira.

