O Festival Músicas do Mundo de Sines, um «sobrevivente de serviço público» que regressa quinta-feira, apresenta uma combinação, neste ano, entre «novos talentos» e «a memória dos dias felizes», disse o diretor Carlos Seixas à agência Lusa.

Entre os «festivais de serviço público», o Festival Músicas do Mundo (FMM) «é um sobrevivente» e «15 anos é uma idade a considerar», destaca à Lusa o fundador, sem esconder que, «naturalmente», a edição de 2013 foi difícil de pôr de pé.

«Embora a sustentabilidade de um serviço público cultural seja sempre um problema», o FMM tem sido resiliente, por vários fatores, entre os quais a natureza de Sines, «porto milenar habituado» a que «os oceanos sejam estradas e não barreiras», assinala Carlos Seixas. O compromisso da autarquia, que organiza o festival, e o «extraordinário» envolvimento da comunidade explicam o resto.

As dificuldades não impediram a «maior edição de sempre», com 43 concertos em nove dias (18 a 27 de julho), que pretende ser «comemorativa» de 15 anos de «cruzamentos artísticos e da dissipação de fronteiras entre o erudito e o popular».

A Sines vão regressar «alguns dos responsáveis por grandes concertos das últimas edições» do evento dedicado à world music. Carlos Seixas nomeia alguns: Amadou&Mariam (Mali, quinta-feira), Hermeto Pascoal (Brasil, sábado), Rokia Traoré (Mali, dia 25), Rachid Taha (Argélia/França, dia 26), Trilok Gurtu & Tigran Hamasyan (Índia/Arménia, dia 26); Femi Kuti & The Positive Force (Nigéria, dia 27).

Mas não se trata apenas de oferecer um «best of» das três centenas de concertos acolhidos desde 1999, «também é continuidade na descoberta de novos projetos», porque «o espírito» é «aventurar-se por mares desconhecidos», realça Seixas.

Entre os estreantes estão Lo'Jo (França, sexta-feira), considerado o melhor grupo pelos prémios Songlines 2013; Baloji (República Democrática do Congo/Bélgica, sexta-feira); Asif Ali Khan&Party (Paquistão, dia 25); Shibusa Shirazu Orchestra (Japão, dia 26); Dawanggang (China, dia 27); e Tamikrest (Mali, dia 27).

Um quarto dos concertos desta edição é de origem nacional, com estreantes como Celina da Piedade (sexta-feira, 18h30) e JP Simões (sábado, 21h30), a que se juntam lusófonos como Aline Frazão (Angola) e Jon Luz (Cabo Verde).

Custódio Castelo inaugurará o programa, na quinta, às 18h30, no Castelo de Sines, local que acolherá, na madrugada do mesmo dia, os brasileiros Cabruêra.

Os Batida, que juntam músicos de Portugal e Angola, vão regressar a Sines no sábado, às 02h00, para animar o palco da Avenida da Praia; os portugueses O Carro de Fogo de Sei Miguel farão o mesmo no dia 24, a partir das 02h45, precedidos, no Castelo, por outro três nomes lusófonos: Orquestra Locomotiva (Portugal, 18h30), MU (Portugal, 20h00) e Tcheka (Cabo Verde, 21h45).

Imidiwan, grupo de portugueses apaixonados pelo Mali, tocam no dia 25, às 20h00, a que se seguirá, às 21h45, uma atuação do músico de jazz português Carlos Bica. Os Gaiteiros de Lisboa regressam a Sines no dia 26, às 18h30, dando lugar a Cristina Branco, no dia seguinte, à mesma hora.

O número de espectadores que se desloca à cidade alentejana para assistir aos encontros «entre Norte e Sul, Oriente e Ocidente» tem disparado, dos sete mil da primeira edição para os 80 a 90 mil do ano passado.

No ano passado, o local onde se realizaram os concertos mais tardios revelou-se «pequeno para tanta gente» e, por isso, os mais resistentes voltarão a acabar as noites na avenida marginal, com a baía ali mesmo ao lado.