O anfiteatro de Paredes de Coura tinha sido classificado como o mais bonito de todos os festivais que Seasick Steve tinha visitado, mas foi Mac DeMarco que, na quinta-feira à noite, levou à exclamação de «tudo é lindo».

No final da noite, durante o concerto de uns Franz Ferdinand que congregaram uma enchente de público, com um conjunto de adeptos geradores de uma permanente nuvem de pó, vários engenhos luminosos (também conhecidos por «very-lights») foram acendidos, em particular durante a canção «Take Me Out», primeiro «single» do grupo escocês.

Na primeira jornada com ocupação plena nos dois palcos do festival Vodafone Paredes de Coura, o público foi convidado por Mac DeMarco a subir ao palco principal para se juntar ao espetáculo, tendo o concerto do canadiano terminado com vários jovens abraçados ao cantor que tinha acabado de regressar de um salto para a multidão.

Na fase final do espetáculo de DeMarco, o artista ia apelando aos seguranças, com maior ou menor intensidade, para que permitissem a passagem de pessoas do público para o palco, deixando o repto para que quem quisesse «curtir depois do concerto» se juntasse: «Esperamos voltar em breve, mas, se não, vamos fazer com que conte».

Num concerto que abriu com a faixa que dá título a «Salad Days», o artista de 24 anos, envergando uma camisola de Elton John, continuou com «The Stars Keep On Calling My Name» para fortes aplausos do público.

Pelo meio, o guitarrista Andy White, na sua primeira digressão com a banda, foi instado pelo vocalista a dar-se a conhecer, pelo que se apresentou como natural da Florida, nos EUA, estreante em território português, estudante para monge e capaz de guiar sete tipos de carros que pediu ao público que repetisse: «Tudo é lindo».

Antes, no mesmo palco, mas de outra geração, o septuagenário Seasick Steve disse que Paredes de Coura era o 18.º festival em que atuava este verão, mas que era »o mais bonito», realçando ainda nunca ter visto «tantas miúdas bonitas num sítio ao mesmo tempo».

A tocar o seu blues com diversas guitarras por si construídas, incluindo uma com partes oferecidas pelo fundador dos White Stripes Jack White, Seasick Steve fazia-se acompanhar apenas por um baterista, exceto em «Walkin' Man», quando contou com a companhia de uma jovem do público.

No palco secundário, ainda Seasick Steve atuava, iniciou-se o concerto do ex-Sonic Youth Thurston Moore, onde se seguiram os «rockeiros» norte-americanos Thee Oh Sees, regressados a Portugal depois do Primavera Sound, no Porto, em 2012, e a tocar perante uma série de «crowdsurfers».

Noite de eletrónica com Cut Copy

Os australianos Cut Cupy fecham o terceiro dia do Festival de Paredes de Coura, que se inicia a meio da tarde de hoje, com eletrónica muito «dançável», logo a seguir à saída de palco do rock'n'roll dos Black Lips.

Oriundos da Austrália, os Cut Copy (00:45, na noite de sexta-feira para sábado) aparecem em plena digressão relacionada com o álbum «Free Your Mind», de 2013, que tem levado o trio e a sua sonoridade electro-pop-rock aos quatro cantos do planeta.

Antes, também no placo principal (23:15), atuam os Black Lips (EUA), que apresentarão, entre outros, o mais recente trabalho - «Underneath The Rainbow» (2014) -, o sétimo em 11 anos de carreira, gravado em Nashville e co-produzido por Patrick Carney, membro do The Black Keys.

O terceiro dia do festival terminará, no que diz respeito a concertos, na madrugada de sábado, com a atuação dos Cheatahs (02:00), que editaram um álbum homónimo em fevereiro, após dois «EP» que os «catapultaram» para a categoria de bandas «a ter em conta», num futuro muito próximo.