Um concerto de bateria construída com objetos associados à tortura é a novidade do «Jazz na Praça da Erva», entre 7 e 9 de agosto em Viana do Castelo, inserido na campanha mundial «Stop Torture», anunciou hoje à organização.

«O objetivo é chamar a atenção para um problema que, segundo o relatório mais recente da Amnistia Internacional (AI), subsiste em 141 países, cerca de três quartos de todos os países que existem no mundo», explicou Luís Braga do núcleo local da AI.

O concerto «bateria tortura» está marcado para «8 de agosto integrado na programação da 23.ª edição do festival de jazz de Viana do Castelo, apresentada hoje publicamente.

«A bateria utilizada nesta performance é feita de objetos do nosso dia-a-dia que, em muitos países, são utlizados como instrumentos de tortura. Por exemplo, os pratos da bateria são as coberturas de candeeiros metálicos. Mas há bidões, baldes arames, facas, fios elétricos. A ideia é dizer às pessoas que a tortura diz respeito a toda a gente. No fim do concerto, convidamos as pessoas a assinarem as petições no sentido de nos ajudarem a acabar com esta prática», sublinhou Luís Braga.

Nigéria, México, Marrocos, Filipinas e Uzbequistão são os países que mais preocupam a AI por afetar «pessoas comuns».

«Há casos muito singelos de mães que são torturadas que vão reclamar da situação de filhos que estavam detidos. Não estamos a falar de políticos ou de ativistas de grande visibilidade», avançou.

A ideia de incluir este espetáculo na 23ª edição do «Jazz na Praça da Erva» foi proposta pelo núcleo local da AI à promotora do festival que convidou dois bateristas para tocarem o instrumento construído por Rui Pina.

Depois do concerto o instrumento ficará exposto até setembro num espaço da cidade para sensibilização da população para esta causa.

A 23.ª edição do Festival de Jazz de Viana do Castelo arranca dia 07 de agosto no mítico palco que o viu nascer e lhe deu o nome, a Praça da Erva, em pleno centro histórico da cidade com o concerto dos «Espécie de Trio».

No dia 08, antes do concerto de bateria, atuam no mesmo espaço os "Let The Jam Roll".

O festival, este ano subordinado ao tema "Os caminhos do Jazz-fusão e globalidade" fecha com Mário Laginha e o seu mais recente projeto, "Terra Seca" no Teatro Municipal Sá de Miranda.

«É um espetáculo imperdível porque representa um momento especial na carreira do Mário Laginha, vai funcionar durante um período de tempo limitado e foi apresentado em muito poucos locais», adiantou David Martins, o promotor do festival que conta com o apoio da Câmara Municipal.

O bilhete custa 12 euros e é o único espetáculo do festival com entrada paga, segundo a agência Lusa.