Estamos em pleno período de festivais de verão e em vésperas do arranque de um dos grandes eventos do ano no calendário musical, o Optimus Alive. Uma semana mais tarde há Super Bock Super Rock, no Meco, Marés Vivas, em Gaia, e Festival Músicas do Mundo, em Sines. O barcelense Milhões de Festa começa no dia 24 de julho, e em agosto ainda temos o Sudoeste e o Paredes de Coura. E isto só para falarmos dos mais «sonantes».

Mas será que esta abundância de festivais é compatível com um país a atravessar uma das maiores crises económicas de sempre, com os portugueses de bolsos cada vez mais vazios?

Para o diretor-geral da Everything Is New, promotora e organizadora do festival Alive, a crise não é um problema novo e pode ser combatida pela diferenciação.

«Fazem-me essa pergunta há mais de dez anos», começa por dizer Álvaro Covões em entrevista ao tvi24.pt. «E a minha resposta é sempre a mesma: para já, quanto mais falamos em crise, mais ela se torna viral. Quando se fala em crise, assusta-se os consumidores. Assustando-se os consumidores, há uma retração económica mais forte daquela que deveria ser», avisa.

«Obviamente que vivemos uma crise económica muito desfavorável. Toda a gente conhece os números, os portugueses têm menos poder de compra porque há uma sobrecarga extra de impostos. (...) [Mas], independentemente de tudo, os projetos diferenciadores mais exclusivos têm publico», explica Covões, recusando a ideia de que a crise está a afetar os cartazes dos concertos e do festival da Everything Is New.

Alive: um festival urbano para trazer turistas à Grande Lisboa

Opinião semelhante tem Jwana Godinho, responsável pela contratação de bandas para os espetáculos da Música no Coração, a organizadora do Super Bock Super Rock e do MEO Sudoeste, entre outros. «Dentro do setor do entretenimento, os festivais continuam a ser uma boa oferta, um bom value for money», diz.

E, apesar de este ano não ter tido lotação esgotada, o Sumol Summer Fest, realizado no final de junho na Ericeira, recebeu cerca de 25 mil pessoas em cada um dos dois dias.

«Correu bastante bem, é um festival que é um bocadinho um valor seguro para quem lá vai. Esta música reggae e surf está claramente na moda para os portugueses, e, apesar de haver, durante todo o ano, uma oferta constante deste estilo de música, a verdade é que os miúdos continuam a aderir muito e associam o festival ao início do verão», explica Jwana Godinho sobre aquele que desde há quatro anos marca o início da temporada de festivais para a Música no Coração.

Dos festivais durante todo o ano aos projetos fora da música

Álvaro Covões vai mais longe e diz mesmo que, em tempo de retração económica, a aposta em trazer público estrangeiro a Portugal é essencial.

«Portugal recebe 13 milhões de turistas, Lisboa recebe cinco milhões por ano. (...) A música é muitas vezes o álibi para fazer uma coisa que se chama um city break, em que a pessoa vai passar meia dúzia de dias a uma cidade». Lisboa e Porto já começam a entrar nesse campeonato em que já faz parte [da visita] ir ver um concerto ou um festival. Nós temos essa preocupação, a única forma de crescer é criar conceitos que cheguem, não só aos portugueses, mas que cativem também os que vêm de fora.»

Optimus Alive: já sabe o que vai querer ver e a que horas?