A rapper Capicua prepara, para os próximos dias, dois espectáculos conceptuais, em torno da palavra dita, um dos quais feito especificamente para os mais novos, no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa.

De quinta-feira a domingo, a autora apresenta "Mão verde" com lenga-lengas, rimas e jogos de palavras que escreveu para crianças, sobre o meio ambiente, natureza, agricultura e alimentação.

Acompanhada por uma base instrumental criada por Pedro Geraldes, guitarrista de Linda Martini, Capicua cumpre uma ideia antiga de escrever para crianças, que foi ficando pelo caminho, mas que é concretizada agora em palco, e poderá resultar em breve num álbum.

"Tenho esta mania de imprimir a minha agenda nas letras, ainda não tinha abordado as questões ecológicas e acho que este é o momento ideal. Tenho uma horta, gosto de plantas, preocupo-me com a alimentação", contou a artista à agência Lusa.

Capicua, nome artístico de Ana Matos Fernandes, considera importante falar sobre estas questões, sobretudo entre os mais novos, porque estão relacionadas com a sobrevivência dos humanos. E cita a conferência mundial sobre o clima que decorre em Paris: "É preciso que as coisas tenham uma discussão política e que sejam tomadas decisões".

"Mão verde" é recomendado para crianças entre os seis e os dez anos, e Capicua não se sente muito intimidada. "É um público muito exigente, não tem vergonha de dizer o que sente, mas sou uma otimista inconsciente e não tenho noção do risco", disse.

Depois destas atuações - que acontecem no Teatro-Estúdio Mário Viegas, uma das salas do São Luiz -, Capicua estreará, a 15 de dezembro, no Jardim de Inverno o espectáculo "Água e sal", no qual dirá textos, em prosa e poesia, que sejam marcados pela ideia de água.

Neste, a rapper contará também com a participação de Pedro Geraldes e ilustração, com desenho em areia em tempo real, por João Alexandrino.

"Neste 'Água e Sal' as bases instrumentais são mais ambientais, a guitarra ganha mais protagonismo e é mais de palavra dita sobre a água. Tanto pode ser sobre a chuva ou o rio, tão presentes em Lisboa como no Porto, sobre o mar. Há muitos textos portugueses sobre isso", explicou.

No espectáculo, que se prolongará até ao dia 20, Capicua convoca prosa e poesia de autores como Sophia de Mello Breyner Andresen, Raul Brandão, Pedro Homem de Melo, Miguel Torga e Maria Teresa Horta.

Para Capicua, "Mão verde" e "Água e sal" fecham um ano que contou com a edição de um álbum de remisturas, "Medusa", cerca de 40 concertos pelo país, com passagem por vários festivais, a participação no projeto Oupa!, de residência artística com jovens do Bairro do Cerco, do Porto, e a gravação de um disco de hip hop transatlântico, com Valete, EMicida e Rael.

Este projeto luso-brasileiro de hip hop verá a luz do dia em 2016, com a edição de um álbum, embora Capicua queira também fazer uma edição, "um livro ou um disco", com as lengalengas de "Mão verde".