Zeca Afonso tem desde há pouco tempo o seu rosto esculpido numa das paredes da Escola Secundária Dr. José Afonso, no Seixal.

De acordo com os responsáveis pela iniciativa, em declarações à Lusa, o rosto de José Afonso foi o escolhido, «não só porque se trata do patrono» daquele estabelecimento de ensino, «mas também porque se integra no espírito das comemorações [dos 40 anos] do 25 de Abril».

O artista português Alexandre Farto, que assina como «Vhils», voltou na semana passada à escola secundária onde estudou, para criar numa das paredes e com a ajuda de alguns alunos daquele estabelecimento, um retrato do cantor Zeca Afonso.

Este regresso, aos 27 anos, foi encarado pelo artista como «um contributo» para uma escola que lhe «deu bastante, não só em termos de escola de ensino, mas também de um «background» que é muito particular», explicou o grafiteiro.

«Um olhar para o futuro»

Vhils inaugura em julho, no Museu da Eletricidade, em Lisboa, «Dissecação», «um olhar para o futuro», com várias obras novas contou o criador à Lusa.

«Sem dúvida que vai ter a maior escala que já fiz e a ideia não é ser uma reflexão sobre o trabalho que foi feito até agora. É mais do que isso, é um olhar para o futuro e uma evolução do trabalho», afirmou.

Em «Dissecação/Dissection», Vhils vai «mostrar uma série de novos trabalhos», que tem estado a desenvolver «há quase um ano».

«Vai estar de tudo um pouco o que eu tenho explorado neste último ano. Inclusive, algumas esculturas que vão ter uma escala maior. Mas queria deixar a "coisa" meio no ar, porque o trabalho ainda está a ser feito e não está tudo fechado», disse.

Alexandre Farto começou por pintar paredes com «graffitis», com 13 anos, mas foi a escavá-las com retratos que captou a atenção do mundo. A técnica consiste em criar imagens em paredes ou murais através da remoção de camadas de materiais de construção, criando uma imagem em negativo.

Esta será a primeira exposição individual que Alexandre Farto, de 27 anos, terá patente num museu português.

Os últimos anos têm sido para este artista «uma roda-viva de viagens constantes», com participações em festivais, exposições e trabalhos pela Europa, América do Norte, América do Sul, Ásia e Oceânia.

Nos próximos tempos, Vhils estará «concentrado inteiramente nesta exposição». «Vou ter um projeto em Paris, na próxima semana, uma exposição coletiva, mas pouco mais. O foco vai estar inteiramente aí», afirmou.

«Dissecação/Dissection» estará patente de 05 de julho a 05 de outubro.