Obscuro, sujo e até apocalíptico. O novo álbum dos Queens of the Stone Age chama-se «...Like Clockwork» e nasceu de um dos piores momentos na vida do líder da banda. Josh Homme quase morreu durante uma operação ao joelho e passou por um período de recuperação que o deixou numa profunda depressão.

A salvação para o vocalista e para a própria banda acabou por surgir através das canções. E apesar de o caminho não ter sido fácil, a viagem foi bem sucedida.

«Passámos por alguns maus bocados enquanto fazíamos o disco, e houve alturas em que questionámos que direção estávamos a tomar», recordou Troy Van Leeuwen em entrevista ao tvi24.pt.

Confessando que chegou a temer pelo fim dos Queens of the Stone Age, o guitarrista explicou que, no final, a banda teve de atirar-se de cabeça para conseguir ultrapassar tamanho desafio.

«Tens de ser um pouco fatalista, por vezes, porque se não te entregares ao máximo nunca irás arriscar nada verdadeiramente. Houve alturas em que sinto que todos passámos por aquele momento de "Abandone toda a esperança, aquele que entrar aqui" («Inferno», de Dante). Quando saltas para o abismo não sabes onde podes vir a acabar... No final, deu tudo certo, mas quando estás a passar por aquilo, não fazes a mínima ideia», acrescentou.

Além de habituais colaboradores e amigos, como Dave Grohl, dos Foo Fighters, os Queens of the Stone Age contaram desta vez com a ajuda de vários convidados especiais, uns mais improváveis que outros. Por «...Like Clockwork» passaram Alex Turner (Arctic Monkeys), Trent Reznor (Nine Inch Nails), Jake Shears (Scissor Sisters) e Elton John.

«Algumas pessoas apareceram simplesmente para conviverem connosco. E foi do tipo: "Hey, Alex Turner, canta aí qualquer coisa nesta canção". Com o Trent e o Elton, tínhamos certas canções em que sentimos que eles deveriam participar. E o resultado foi ótimo», contou Troy.

A presença destas estrelas da música em estúdio acabou por atenuar a saída algo conflituosa do baterista Joey Castillo, que estava há mais de dez anos na banda.

Troy Van Leeuwen admite que esse «foi um dos momentos mais difíceis» de todo o processo. «Mas todas as coisas acontecem por uma razão e continuamos a ser bons amigos do Joey», assegurou.

«Apesar de tudo, ele é nosso amigo. O caminho dele vai numa direção diferente da nossa e somos todos adultos o suficiente para entendermos isso.»

O resultado final deste tão conturbado disco já foi posto à prova nos tops de vendas (a banda entrou pela primeira vez para o lugar cimeiro da tabela norte-americana) e nos concertos ao vivo. Na recente passagem pelo festival Super Bock Super Rock, os Queens of the Stone Age fizeram questão de incluir aquelas que consideram ser as mais importantes canções do novo álbum.

O baixista Michael Shuman destacou o primeiro single de apresentação do disco, «My God Is The Sun», como a canção que deu um novo alento, e uma nova vida, a um disco que estava a ser demasiado soturno.

«Foi a primeira canção a ser mais mexida, em contraste com as restantes que eram mais calmas ou que tinham letras mais sombrias», lembrou.

«Gravámo-la numa altura em que trocámos de baterista, quando o Dave entrou para o disco, e, portanto, foi como uma nova faísca quando a canção ficou pronta. Foi a primeira vez que senti verdadeiramente: "O disco vai ficar mesmo bom!".»

Matadas as saudades dos fãs portugueses, depois de oito anos sem atuar no nosso país, a banda já pensa em regressar a Portugal para um novo concerto em nome próprio.

«Seria um erro se não voltarmos a Portugal em breve. Passou algum tempo desde a última vez que estivemos cá e acho que está na hora de regressarmos mais vezes», disse Troy Van Leeuwen, prometendo fazer o possível para que, em 2014, a banda passe novamente pelo nosso país.