Por estes dias, os escoceses Biffy Clyro são cabeças-de-cartaz de dois dos maiores festivais de verão britânicos. Em Leeds e Reading, a banda tem honras de encerrar o palco principal à frente de bandas como os Nine Inch Nails.

Nos últimos anos, o percurso tem sido sempre a subir, e o mais recente álbum, «Opposites», entrou diretamente para o primeiro lugar da tabela de vendas no Reino Unido - uma estreia absoluta para os Biffy Clyro.

«Qualquer banda ficaria feliz com esse feito e nós não somos exceção, claro! Estamos mesmo muito felizes. Mas tentamos não deixar que isso nos afete demasiado», explicou James Johnston em entrevista ao tvi24.pt.

O baixista dos Biffy Clyro afirmou que, apesar dessa vitória, a banda não pretende abrandar e que ainda tem muito trabalho pela frente: «Tentamos simplesmente tocar o mais pesado, o mais rápido e o mais barulhento possível todas as noites».

«Mas não retiramos importância a termos chegado a "número um", isso foi muito bom», assegurou.

Mas será que existe o perigo de a banda se tornar demasiado bem sucedida? «Talvez», admitiu o músico. «Há certamente uma altura em que te podes tornar num idiota. (...) Mas já andamos na estrada há dez, 12 ou 15 anos, qualquer coisa assim... Portanto, já vimos muitas bandas, aprendemos com muitas pessoas, aprendemos algumas coisas às nossas próprias custas», contou.

«Acho que é por isso mesmo que não pensamos muito sobre o assunto. Quando começas a pensar demasiado sobre o que estás a fazer, isso pode acabar por te subir à cabeça.»

Juntos há quase duas décadas, os Biffy Clyro passaram por um duro teste enquanto gravavam o novo disco. Os problemas de alcoolismo do baterista Ben Johnston, irmão gémeo de James, quase levaram ao fim da banda.

«Passámos por tempos difíceis (...), por situações que outras bandas, sem os mesmos laços que nós temos, as levassem à separação. Mas esses tempos difíceis fizeram com que nos juntássemos e fortaleceram-nos ainda mais», recordou, destacando o «momento muito bom» que a banda atravessa.

«É tal e qual um casamento. Às vezes há altos e baixos, e, quando gostas realmente de alguém, a vida é assim mesmo. Temos muito orgulho em termos passado por essas dificuldades e de termos saído mais fortes do que nunca», frisou Johnston.

Em julho, os Biffy Clyro passaram mais uma vez por Portugal durante o festival Optimus Alive. Ao quarto concerto no nosso país, a banda já começa a tomar o pulso ao público e ao povo português.

«Aqui as pessoas gostam mesmo de se divertir. Talvez não levem a vida muito a sério, ou então levam a diversão muito a sério», observou.

O baixista dos Biffy Clyro reconheceu que, apesar dos tempos difíceis que Portugal atravessa, esta «é a altura certa para as pessoas se juntarem».

«É importante as pessoas divertirem-se. Apesar de todas as coisas difíceis que acontecem na vida, continuamos aqui, estamos vivos. A vida é o que fazemos dela, temos de tirar o melhor das situações mais difíceis», afirmou o músico.

Quanto a um regresso a Portugal para a estreia em nome próprio, vontade não parece faltar à banda escocesa.

«Depois desta reação do público [no Optimus Alive], acho que teriam de nos matar para nos impedirem de voltarmos a Portugal», revelou, acrescentando que esperam voltar ao nosso país em breve.

«Estamos a marcar alguns concertos para o final do ano e esperamos que Portugal faça parte dessa digressão. É simplesmente uma questão de tentarmos gerir o nosso tempo da melhor forma para conseguirmos vir cá tocar.»