«Don`t Let The Sun Go Down On Me». O título da música de Elton John («Não Deixes que o Sol se Ponha sobre Mim», numa tradução livre) diz o que o cantor pensa da transferência do jogador português do Manchester United para o Real Madrid. Elton John dedicou-lhe o tema no concerto deste domingo, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.

«Para o Ronaldo, a transferência mais cara de sempre», disse Elton John à audiência, desconhecendo-se, contudo, se o craque seria uma das cerca de 13 mil pessoas que assistiram ao concerto do músico britânico.

Elton John teve uma calorosa enchente no Pavilhão Atlântico. Quem não o viu há 9 anos no Casino do Estoril, quando cancelou o concerto 15 minutos antes do início por causa de uma cena de ciúmes com o namorado, terminou esta noite de braços no ar a dançar e cantar. Os êxitos musicais da carreira do cantor percorreram a set list de alto a baixo. «Rocket Man» é a digressão que assinala os 40 anos em palco. Uma efeméride bem mais forte do que a crise financeira, pois o recinto encheu-se com 13 mil bilhetes vendidos, apesar do preço dos ingressos ir até aos 125 euros.

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O «rocket» público há muito que esperava pela oportunidade de ver Elton John em palco, ele que se estreou em solo português no Festival Vilar de Mouros, em 1971, e passou por cá uma segunda vez no Estádio de Alvalade, em Lisboa, a 16 de Julho de 1992, cerca de dois meses antes de também Michael Jackson subir ao mesmo palco nacional.

O «rocket» público esperou demasiado tempo para o ver actuar. Tanto que envelheceu. Agora são famílias com filhos crescidos, casais nos «entas» e grupos de colegas de escritório - sobretudo elas. Também são alguma/muita juventude perdida no tempo, gente nascida quando a bela «Nikita» dominava as tabelas de discos mais vendidos - um tema do álbum «Ice on Fire» sobre a Guerra Fria e que ficou de fora deste concerto.

O regresso de Elton John foi memorável e até teve autógrafos no fim. Pontualidade britânica, meia hora depois do concerto começar ainda entrava público. Quem perdeu essa meia hora ficou sem «Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding», o arranque dedicado a Jackson. E desde logo, sem «Saturday Night`s Alright», a primeira música a ser recebida de pé pela audiência. Seguiu-se «Burn down the mission», que pôs toda a gente em sintonia e de telemóveis em riste. Este foi o primeiro ponto alto do concerto de Elton John no Atlântico. Com «Daniel» o público fez de coro, cantando em uníssono apesar deste ser um tema do já longínquo álbum de 1973 - «Don`t Shoot Me I`m Only The Piano Player», trabalho feito em parceira com o letrista Bernie Taupin e de onde emerge outro grande êxito da carreira de Elton, «Crocodile Rock», que não ficou de fora do alinhamento.

Editado em 2001, «Songs From The West Coast» (álbum quatro estrelas na «Rolling Stone») teve honras a anúncio ao microfone por parte de Elton John, que escolheu o tema «I Want Love» para interpretar. O público mais apaixonado não podia ter correspondido melhor ao tema, com muitos beijinhos a estalarem nas bancadas. Depois foi a euforia que se esperava com «Rocket Man» e o refrão repetido de que «I Think It`s Going to Be a Long Long Time». Já com «Sorry Seems To Be The Hardest Word» foi a emoção e as cadeiras começavam a ficar livres, com muita gente de pé a dançar.

«Sacrifice» terá tido das recepções mais calorosas por parte da audiência, este que foi um dos hits de 1989. Outra música que brilhou na plateia foi «Candle In the Wind» escrita para Marilyn Monroe e depois adaptada a «The English Rose» para homenagear a amiga princesa Diana.

«Are You Ready For Love», «Midnight Creeper», «Susie», «I`m Still Standing» e «Your Song» - esta última a encerrar o encore, - foram alguns dos temas entoados por Elton John. E qual deles o mais aplaudido...