A banda canadiana Skinny Puppy exigiu ao departamento de Estado norte-americano o pagamento de 492 mil euros em direitos de autor pelo alegado uso da sua música em interrogatórios de presos da base de Guantanamo, escreve a agência Lusa.

O grupo enviou ao governo dos Estados Unidos uma fatura depois de ter recebido informações, de um antigo guarda prisional, de que a sua música tinha sido usada, sem autorização, em interrogatórios, em pelo menos quatro casos.

O líder da banda, Cevin Key, disse aos media canadianos que não excluía a possibilidade de processar o departamento de Defesa pela utilização da música dos Skinny Puppy em interrogatórios, nos quais, de acordo com organizações de defesa dos direitos humanos, foram usados métodos de tortura, durante os primeiros anos da prisão.



O antigo guarda prisional, que forneceu informações ao grupo canadiano, está a escrever um livro e garantiu que os detidos de Guantanamo chegaram a ser submetidos à audição, durante seis a 12 horas contínuas de música metal.

Cevin Key disse ao canal CTV que o grupo desconhecia que a sua música era usada «como uma arma contra alguém» e que a banda «se sentia ofendida» por ter sido utilizada para «fazer mal» a pessoas.

A prisão da base naval norte-americana de Guantanamo, em Cuba, começou a funcionar em 2002 para deter e interrogar, com métodos de tortura, presos da guerra contra a rede terrorista Al-Qaida.

Após 12 anos e de ter mantido quase 700 suspeitos detidos, o estabelecimento prisional de Guantanamo continua a funcionar, com 155 detidos, apesar das promessas do presidente norte-americano, Barack Obama, de fechar definitivamente a prisão.