Diana Krall: amor por Lisboa e pela bossa nova
Campo Pequeno recebeu apresentação do novo disco «Quiet Nights». Canadiana cantou em português e recordou Tom Jobim
Por: João Carneiro da Silva/ | 2009-10-11 04:01Depois do Carnaval em pleno Outubro que o brasileiro Seu Jorge trouxe ao Campo Pequeno, a arena lisboeta recebeu este sábado
a diva do jazz Diana Krall. Num concerto de gala, o ambiente foi bem diferente, mas a música brasileira acabou por ser o ponto
comum entre os dois espectáculos.
O novo disco da canadiana está repleto de passagens pelo universo da bossa nova
- desde o tema título «Quiet Nights», versão de «Corcovado», até «The Boy From Ipanema», variação de «A Garota de Ipanema»,
ambos de Tom Jobim.
O cruzamento do estilo musical brasileiro com o jazz valeu a Diana Krall o reconhecimento do
público português. O álbum alcançou o primeiro lugar da tabela de vendas aquando do seu lançamento em Abril e o Campo Pequeno
teve casa cheia na recepção à cantora e pianista.
Acompanhada de três virtuosos
Em palco, e com um
belo vestido preto, Diana Krall esteve acompanhada de um trio de verdadeiros virtuosos: Anthony Wilson na guitarra eléctrica,
Karriem Riggins na bateria e Ben Wolfe no contrabaixo. Vezes sem conta, a plateia aplaudiu entusiasticamente os desvios pela
improvisação e solos destes três músicos.
Pena que o volume baixo do som que saía das colunas tenha feito com que,
em algumas ocasiões, a música dos instrumentos ou a voz da cantora fossem engolidos pelas palmas.
De resto, Diana
Krall e a sua banda não desapontaram os milhares de fãs em Lisboa. Para além da bossa nova de Jobim, houve também a de Marcos
Valle em «So Nice» («Samba de Verão» no original) e a celebração de clássicos de Burt Bacharach («Walk On By») e Irving Berlin
(«Let's Face The Music And Dance» e «Cheek To Cheek»).
«A minha querida Lisboa»
Diana Krall falou
bastante com o público, perdendo-se até, por vezes, no seu próprio discurso. Confessou o amor que tem pela cidade («A minha
querida Lisboa»), revelou que gosta de actuar «assim tão tarde» porque pode «passar o dia inteiro de robe e chinelos» e partilhou
ainda com a audiência a experiência de viajar em tournée com os seus dois filhos, gémeos, de dois anos e meio.
«Eles
já sabem dizer boa noite e obrigado em português. Sabem falar melhor a língua do que eu», brincou.
Mas foi mesmo
num português bastante aceitável, e com sotaque brasileiro, que a artista canadiana cantou «Este Seu Olhar», outra das faixas
compostas por Tom Jobim e que faz parte do novo álbum «Quiet Nights». Certamente, um dos momentos mais aplaudidos da noite.
Clássicos
«Cheek To Cheek» e «Garota de Ipanema»
Outro dos pontos altos foi «Cheek to Cheek», a canção do célebre verso
«Heaven, I'm in heaven/and my heart beats so that I can hardly speak». Interpretada em ritmo alegre e acelerado, também esta
teve direito a improvisos e floreados técnicos que fizeram as delícias da plateia.
A ovação em pé até o quarteto
voltar ao palco arrancou novo elogio de Diana Krall aos portugueses: «Para a próxima, tocamos aqui durante duas semanas e
só depois saímos em tournée».
«The Boy From Ipanema» fechou de mansinho uma noite descontraída que marcou o regresso
da pianista a Portugal. Este domingo é a vez do Porto receber a simpatia e a bela voz de Diana Krall no Pavilhão Rosa Mota.
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