DAMN. de Kendrick Lamar conquistou, na segunda-feira, o que poucos se atreveriam a adivinhar: o prémio Pulitzer na categoria Música. Nunca até hoje a distinção do que melhor se faz na América na área do jornalismo, da literatura e da música tinha sequer se aproximado do Hip-Hop.

Desde 1943, data em que os Pulitzer se estenderam à Música, os vencedores eram autores da Clássica ou do Jazz. Até ontem.

A “vitória” de Kendrick Lamar é um reflexo dos tempos modernos, mas é também um momento de consciência, que perturbou o júri pela sua densidade a diferentes níveis: letra e composição.

"Foi o momento certo”, justificou Dana Canedy, responsável pela atribuição dos Pulitzer e antiga galardoada, em declarações aos jornalistas depois de revelar os vencedores.

Temos muito orgulho na seleção que fizemos. Significa que o júri e o sistema de atribuição de prémios funcionaram como é suposto, ou seja, o melhor trabalho recebe o Pulitzer. DAMN. é uma luz sobre o Hip-Hop completamente diferente. É um grande momento para o Hip-Hop e um grande momento para os Pulitzers.”

Kendrick Lamar pode ter perdido o “álbum do ano” para Bruno Mars, mas na história ficará DAMN., o quarto trabalho de estúdio do rapper norte-americano e o terceiro consecutivo a lutar por um Grammy, por sinal um dos mais aclamados.

O rapper californiano, de 30 anos, ainda não se pronunciou sobre a conquista do Pulitzer, mas para o júri a decisão não poderia ter sido mais unânime. Mesmo que a maior parte dos elementos que o compõem sejam pouco conhecedores do trabalho de Kendrick Lamar.

Este trabalho é uma virtuosa coleção de canções, unificadas pela sua autenticidade vernacular e dinamismo rítmico, que, através de comoventes histórias, captam a complexidade da vida afro-americana moderna."