Seis anos após o último trabalho a solo, Luís Represas lança agora um novo álbum de originais. Chama-se «Cores» e vem para afastar o cinzento que ameaça Portugal e o mundo.

«Eu acho que isto anda tudo muito cinzento, está tudo muito normalizado aqui a meio. Entre o preto e branco há uma data de cores, mas, de repente, querem fazer-nos parecer que há só cinzento e que é tudo igual», afirmou o cantautor em entrevista ao tvi24.pt.

«Para estarmos mais confortáveis é melhor que seja tudo igual para não nos atrapalharmos muito a escolher. Já basta as coisas estarem como estão em Portugal e no mundo, as crises todas que existem, como ainda estão cada vez mais, de uma forma mais "violenta", a estreitar-nos o espetro de opção pela nossa felicidade», lamentou Represas.

«Depois de ter acabado este disco, aquilo que me saltou aos sentidos foi exatamente isso: as cores, as opções, o lado positivo das coisas. (...) Senão, qualquer dia, temos todos um número ao pescoço e gostamos todos da mesma coisa e queremos todos a mesma coisa. Para ficarmos, então aí, supostamente felizes.»

O lançamento de um DVD gravado ao vivo, os novos concertos dos Trovante, e as colaborações com João Gil preencheram os últimos anos de trabalho de Luís Represas. E, na hora de criar novas canções para este «Cores», pouco ou nada ficou na gaveta.

«Eu gosto muito de sentir que chegou esse momento de inquietação. E há espaço e tempo para preencher, começando numa ponta e acabando na outra. Não tenho nada na gaveta - tenho frases soltas, excertos musicais. Agora, aquela canção que eu faço e depois ponho na gaveta porque não serve para [um disco, isso não faço]. O que serve vem cá para fora e é mostrado», explicou.

Os concertos de apresentação do novo álbum vão manter Luís Represas ocupado durante os próximos tempos, mas o músico continua pronto a aceitar novos desafios e participou recentemente nas gravações do próximo disco do moçambicano Stewart Sukuma. Quanto ao futuro dos Trovante, Luís já aprendeu a nunca dizer nunca.

«Há coisas em relação às quais não devemos bater com as portas ou fechá-las de uma forma definitiva, com o risco de estarmos a mentir a nós próprios e amanhã temos de estar a desmentir aquilo que dissemos», afirmou.

«Em 1999 sabíamos lá nós que o presidente [Jorge] Sampaio nos ia convidar para nos juntarmos, isso estava completamente fora dos nossos horizontes. Neste momento, [o regresso dos Trovante] está fora dos nossos horizontes, temos muitas coisas a fazer individualmente (...), não vemos o porquê para nos juntarmos agora. [Mas] para que é que eu vou dizer nunca? Não vou ganhar nada com isso, ninguém ganha nada com isso.»