Os Madredeus no novo formato ¿ guitarra clássica, sintetizadores, violinos, violoncelo e voz -, sob a liderança de Pedro Ayres Magalhães, tocam na quinta-feira no Centro Cultural de Belém (CCB), no périplo celebrativo dos 25 anos de carreira, escreve a agência Lusa.

Os atuais Madredeus reúnem o fundador da banda Pedro Ayres Magalhães (guitarra clássica), Carlos Maria Trindade (sintetizadores), que a integra desde 1994, e os recentes «companheiros de jornada» Beatriz Nunes (voz), os violinistas Jorge Varrecoso e António Figueiredo e o violoncelista Luís Clode.

A nova formação gravou no ano passado, quando se iniciaram as comemorações do quarto de século de atividade, o álbum «Essência», que constitui o veio do concerto que apresenta na quinta-feira, no grande auditório do CCB, e no domingo, na Casa da Música, no Porto.

As treze músicas, com novos arranjos, registadas em «Essência», percorrem os registos dos diferentes álbuns do grupo desde «Os Dias da Madredeus» (1987) até «Metafonia» (2008), passado por «Existir» (1990), «Espírito da Paz» (1994), «O Paraíso» (1997) e «Movimento» (2001).

A seleção é uma amostra da nova vida dos Madredeus em palco, recaiu sobre clássicos absolutos e temas um pouco mais secretos como «Ao Longe o Mar», «O Pomar das Laranjeiras», «Palpitação», «A Sombra», «A Confissão», «O Navio», «Coisas Pequenas» e, entre outros temas, «Adeus e Nem Voltei».

Das 180 canções editadas pelos Madredeus, ao longo da sua existência, «foi selecionado um grupo que, por um lado, revisita o reportório todo e, por outro lado, pode viver bem com a nova instrumentação», explicou à agência Lusa Ayres Magalhães

A nova formação resulta do anterior formato dos Madredeus & A Banda Cósmica, que incluía bateria, harpa e duas vozes femininas.

Para Pedro Ayres Magalhães, que passou por alguns grupos históricos da música portuguesa, como os Heróis do Mar e os Faíscas, os novos Madredeus surgem «essencialmente à volta da ideia de tocar ao vivo».

Esta nova formação estreou-se em abril do ano passado nas Caldas da Rainha, e, seguindo as pisadas do grupo inicial, já tocou em Inglaterra, Espanha, França, Suíça, Hungria, Turquia, entre outros países.

Ao longo da sua existência os Madredeus passaram por diferentes fases, a que corresponderam distintas formações instrumentais, sendo trio constituído pela guitarra, sintetizadores e voz feminina, a presença constante na base da formação.

«Desta vez acompanhamos esse trio com dois violinos e um violoncelo, garantidos por músicos da Sinfónica Portuguesa», disse Ayres Magalhães.

O grupo foi criado em 1986, sob a liderança de Pedro Ayres Magalhães (ex-Heróis do Mar, Corpo Diplomático), tendo sido as instalações do Teatro Ibérico (antiga igreja do Convento de Xabregas) o seu primeiro local de ensaios, de onde se inspiraram para dar nome ao grupo (Convento da Madre de Deus), que experimentava tocar música em português com instrumentos acústicos.

O grupo era ainda constituído por Rodrigo Leão, nos teclados, Gabriel Gomes, no acordeão, e Francisco Ribeiro, que faleceu em 2010, no violoncelo, aos quais se juntou depois a voz de Teresa Salgueiro.