O regresso a palcos lisboetas, depois de 11 anos de ausência, talvez merecesse mais público (estariam sequer mil pessoas no Coliseu dos Recreios?), mas os Suede não se atemorizaram. Comandados por um incansável Brett Anderson, entregaram-se de corpo e alma como se estivessem perante uma sala cheia.

Se a primeira década do novo milénio ditou o fim de algumas das principais bandas do movimento britpop, os últimos anos têm ficado marcados pelo ressuscitar de fenómenos dos anos 1990. Blur, Pulp, e, claro está, os próprios Suede, tentam agora viver para além do saudosismo dos fãs - «Bloodsports» foi o novo disco lançado em março e a principal razão do regresso de Brett Anderson (voz), Neil Codling (guitarra e teclas), Mat Osman (baixo), Simon Gilbert (bateria) e Richard Oakes (guitarra) a Portugal.

Após um arranque em crescendo com «Pantomime Horse», resgatado ao disco homónimo de estreia que celebra 20 anos de vida, os Suede lançaram-se às novidades em dose tripla. «Barriers», «Snowblind» e «It Starts and Ends With You» mostraram que estes Suede querem mais do que limpar o pó aos êxitos de outros tempos, enquanto que Brett Anderson ia tomando o pulso aos «poucos mas bons» na plateia.

«Trash» foi um dos pontos de passagem obrigatória pelo álbum que internacionalizou os Suede («Coming Up», de 1996), e um tiro certeiro para aquecer os ânimos dos fãs que regressaram um bom par de vezes à adolescência durante hora e meia.

Em palco, Brett Anderson era claramente o mais irrequieto, serpenteando e com vontade de dançar, girando o microfone no ar qual vaqueiro pronto a laçar um bezerro, ou irrompendo plateia adentro para cantar no meio do público (em «The Drowners»).

O rock de riffs pulsantes de «Can't Get Enough» contrastou com baladas como «By The Sea», «The 2 of Us» ou «Another One» (só com Brett e Neil, no piano), três dos momentos mais calmos da noite, mas nem por isso menos aplaudidos.

(Meia) bola de espelhos em palco, a fazer chover pingos de luz por um Coliseu despido, para outro dos novos temas, «For The Strangers», e o concerto caminhava para um final que se adivinhava minado de êxitos.

«So Young» e «Metal Mickey», singles lançados há duas décadas, antecederam uma breve retirada de palco sob uma forte ovação (a possível, claro está), e o encore abriu com um tema que o próprio Brett admitiu não cantar «há já algum tempo». Em versão acústica, na guitarra de Neil Codling, «She's in Fashion», de 1999, foi apresentada em Lisboa com um novo ar - e o refrão fácil repetido com vontade pelos fãs.

Para o fim ficou «Beautiful Ones», dedicado às «beautiful people» de Lisboa, e também com o toque acústico da guitarra de Codling. Nas primeiras filas os fãs fizeram a festa cantando cara a cara com um Brett Anderson encharcado em suor e de camisa quase totalmente desabotoada - imagem da entrega em palco de uma banda que está a gostar desta sua segunda vida.

Alinhamento do concerto:

1. Pantomime Horse

2. Barriers

3. Snowblind

4. It Starts and Ends With You

5. Filmstar

6. Trash

7. Animal Nitrate

8. We Are the Pigs

9. Sometimes I Feel I'll Float Away

10. By the Sea

11. The Drowners

12. Can't Get Enough

13. The 2 of Us

14. Another No One

15. For the Strangers

16. So Young

17. Metal Mickey

Encore

18. She's in Fashion

19. Beautiful Ones