Os Monty Python retomam esta terça-feira o trabalho conjunto, na O2 Arena de Londres, com uma «homenagem pré-póstuma» à própria carreira, no primeiro de dez espetáculos, a realizar até 20 de julho, com que se despedem dos palcos.

John Cleese, Michael Palin, Terry Jones, Eric Idle e Terry Gilliam afirmaram, na segunda-feira, em conferência de imprensa, no teatro Palladium, na capital britânica, que o regresso ao trabalho conjunto, três décadas depois do filme «O sentido da vida», constitui uma «homenagem pré-póstuma» à própria carreira do grupo.

Para o primeiro espetáculo, os cinco humoristas britânicos - incluindo Terry Gillian, de origem norte-americana - prometeram humor, «non sense» e uma atuação plena de «riso e de música», que também vai contar com a participação do cientista britânico Stephen Hawking.

O derradeiro espetáculo da série, marcado para 20 de julho, será filmado, para posterior exibição nos cinemas, e transmitido em direto, para todo o mundo.

«Queremos dizer adeus publicamente, num espetáculo mundial, porque não vamos ter outra oportunidade», disseram na conferência de imprensa de segunda-feira, à qual Mick Jagger se associou, com uma saudação em vídeo, adiantaram as agências internacionais de notícias.

No encontro com a imprensa, os cinco atores adiantaram ainda não veem com bons olhos a pressão em torno das expetativas geradas pelo seu reencontro, garantindo porém que «não têm medo» do que vier a acontecer nos espetáculos.

O reencontro dos Monty Phyton foi anunciado no passado mês de novembro e previa, inicialmente, apenas a apresentação de hoje, na O2 Arena. Colocados os bilhetes à venda, esgotaram-se em 43 segundos e meio, tendo os organizadores anunciado, de imediato, quatro datas suplementares e, depois, mais cinco, no passado mês de abril.

Na altura, Eric Idle adiantou que o grupo também deveria gravar um novo disco, com cinco novas canções, sob o título «Monty Python Sings».

Os Monty Python converteram-se, no início da década de 1970, num dos mais famosos grupos de humor de sempre, depois da estreia, na BBC, da série «Monty Python Flying Circus», a 05 de outubro de 1969.

Os espetáculos na O2 Arena vão retomar alguns dos «sketches» mais célebres dos 45 episódios transmitidos pela televisão pública britânica, até 1974, assim como dos filmes que lhes sucederam.

«O papagaio morto», «A inquisição espanhola», «O jogo de futebol dos filósofos», «Os escoceses kamikase» e «Spam» são apenas alguns dos muitos «sketeches» que celebrizaram os Monty Python, em perto de cinco anos de trabalho, na BBC.

Dos filmes destacam-se igualmente sequências como «A canção do esperma», em «O sentido da vida», a manifestação de protesto de «A vida de Brian» ou o cavaleiro negro, de «O cálice sagrado», entre outros.

Quase 25 anos após a morte de Graham Chapman, por cancro, em 1989, John Cleese, Michael Palin, Terry Jones, Eric Idle e Terry Gilliam garantem que mantêm «a química» que os fez famosos e que continuarão a trabalhar até não mais poderem, insistindo, porém, que o espetáculo de 20 de julho será o último que fazem em conjunto.

A última vez que os cinco se reuniram em palco foi em Aspen, nos Estados Unidos, há 15 anos, para receberem um prémio, aproveitando a ocasião para levarem consigo a urna com as supostas cinzas de Chapman, que Gilliam acabou por deixar cair em cena.

Depois do fim da série da BBC, os Monty Python avançaram para o cinema, com «O cálice sagrado», de 1975, «A vida de Brian», de 1979, e «O sentido da vida», de 1983, que constitui o último projeto em conjunto.

«And now for something completely different», conjunto de «sketches», de 1971, e «Monty Python Live at the Hollywood Bowl», de 1982, são longas-metragens que também foram exibidas em sala.

John Cleese, Michael Palin, Terry Jones, Eric Idle e Terry Gilliam mantiveram projetos individuais, ao longo das últimas décadas.