A cantora de jazz norte-americana Dianne Reeves antecipará - num concerto, na quinta-feira, em Lisboa - as canções do novo álbum, «Beautiful Life», a editar em novembro na Europa.

Um dia depois de completar 57 anos, Dianne Reeves estará no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no âmbito de uma série de concertos pela Europa, acompanhada de um quarteto com quem revisita temas de uma carreira premiada e interpreta repertório novo.

«Beautiful Life», que conta com um conjunto eclético de convidados - entre os quais Gregory Porter e Esperanza Spalding -, é como que um agradecimento «a todas as coisas que uma pessoa vive numa vida inteira», disse em declarações à agência Lusa.

«As pessoas podem interpretar o título como quiserem, mas para mim, fico agradecida pela vida que tive», disse, reconhecendo ser uma otimista, mesmo em tempo de pessimismos.

«É verdade, também estamos todos (norte-americanos) a viver um período de crise, mas a verdade é que para conseguirmos ultrapassar e mudar alguma coisa, primeiro temos que mudar a nossa mente», opinou.

Nascida em Detroit, a cidade que este ano declarou falência, Dianne Reeves conviveu desde sempre com o jazz, por influência familiar, e teve em Sarah Vaughan uma das referências vocais, mas estendeu o seu interesse musical também às sonoridades da América Latina, à música brasileira e ao R&B.

É das poucas artistas que se pode gabar de ter conquistado três prémios Grammy consecutivos, sobretudo pela técnica e interpretações vocais, embora também assine a autoria de alguns dos temas que grava.

Em «Beautiful Life», interpreta 12 canções, entre as quais «Waiting in Vain», de Bob Marley, «Dreams», dos Fleetwood Mac, «32 Flavors», de Ani DiFranco, e «I Want You», de Marvin Gaye.

Apesar dos elogios e dos prémios, Dianne Reeves descarta qualquer responsabilidade em ser importante para quem está na plateia. «Eu gostava de dizer que tenho importância na vida das outras pessoas, mas não sei. Só sei que acabo por trazer alegria», riu-se.

Dianne Reeves editou o primeiro álbum em nome próprio em 1982, há trinta anos, mas não quer ser nostálgica em relação ao que já fez: «Estou mais focada na música que existe agora e gosto muito dos músicos que tocam agora, porque também ouvem coisas antigas. Adoro ver o que há no horizonte e ver o que andam a fazer».

Depois do concerto em Lisboa, no qual estará acompanhada dos músicos Peter Martin, Reginald Veal, Romero Lubambo e Terreon Gully, Dianne Reeves regressará a Portugal semanas depois para atuar no primeiro Festival de Jazz de Beja, que começa no dia 13.