O fadista português, Carlos do Carmo, que venceu um «Grammy» na categoria «Lifetime Achievement» (o galardão mais prestigiado e destinado a premiar a carreira de sucesso de artistas conceituados), esteve no «Jornal das 8» para contar, na primeira pessoa, como recebeu a notícia da sua vitória.

Carlos do Carmo, 74 anos, foi surpreendido por um telefonema do presidente da «Latin Recording Academy», que o informou da distinção que receberá, oficialmente, a 19 de novembro, no Hollywood Theater da MGM, em Las Vegas. Em entrevista à TVI, o fadista contou toda a conversa.

«Começou a conversar comigo como se nos conhecêssemos há muito tempo. Depois, começou a pedir-me desculpa - "eu peço desculpa por só agora lhe atribuirmos este prémio, que é justo e merecido há muito tempo, mas vocês portugueses não se aproximam, nós não sabemos da vossa música" - e eu respondi, "eu não faço marketing da minha música, limito-me a cantar"», afirmou Carlos do Carmo, em tom modesto.

O músico contou que não esperava, de todo, por esta notícia, e que vencer um «Grammy», «é daquelas coisas que não esperava» na sua carreira, mesmo tendo dedicado mais de 50 anos a cantar o fado.

No entanto, os elogios por parte do Presidente da Academia não ficaram por aí, e Carlos do Carmo admitiu que «ficou atordoado», quando o seu interlocutor lhe disse que a Academia o considerava um dos «seis melhores cantores vivos do mundo».

«Eu estava enfiado numa cadeira e fiz um silêncio (...) fiquei atordoado».

Para além do reconhecimento individual, o prémio representa o triunfo da música portuguesa além fronteiras, em especial do fado, reconhecido desde 2011 como Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO. Mas Carlos do Carmo, espera que este prémio não represente apenas uma abertura de portas a este estilo, mas que seja, também, um bom pretexto para os novos músicos começarem «a lutar».

«Gostaria que não fosse só o fado português, na minha opinião a música portuguesa não se confina ao fado. Nós temos música popular portuguesa muito boa, de muita qualidade. Isto é como a "coca-cola": "és muito bom, mas dá-te a conhecer", e foi isso, aliás, que o Presidente da Academia me disse, "vocês não se dão a conhecer". Em relação ao fado, fiquei muito contente, porque a porta abre-se, e agora meninas e meninos vão ter que lutar», afirmou o fadista.