Depois de Donald Trump ter surgido em palco na Convenção do Partido Republicano, em Cleveland, ao som de “We Are the Champions”, os Queen publicaram no Twitter uma mensagem que dava conta de que a música estava a ser usada sem autorização. O republicano não foi o primeiro - e provavelmente não será o último - político a utilizar canções numa campanha sem autorização. Mas o momento serviu de pretexto para o humorista John Oliver juntar vários músicos em torno de um apelo dirigido a todos os agentes políticos: “Não usem as nossas canções”.

Músicos como Michael Bolton, Cyndi Lauper, Usher e Sheryl Crow estão fartos que os políticos usem as suas músicas sem autorização. Por isso, aceitaram o convite de John Oliver e surgiram a cantar, em jeito de videoclip, a música "Don't use our songs" [Não usem as nossas canções]. Este foi um dos segmentos do episódio do programa “Last Week Tonight” exibido no domingo.

“Não usem as nossas canções / A sério, vá lá / Têm sorte de que não vos processamos”, pediram a uma só voz.

Além de uma música de Queen, um tema dos Rolling Stones, “You Can’t Always Get What You Want”, também foi ouvido na Convenção do Partido Republicano. Antes, o magnata do imobiliário já tinha usado músicas de Adele que até levaram um porta-voz da cantora a esclarecer que o republicano não tinha autorização para utilizar as canções.

Políticos a usarem canções para fins eleitorais, sem a autorização dos artistas, está longe de ser uma novidade. John Oliver, de resto, sublinhou isso mesmo no programa deste domingo, lembrando outros casos semelhantes.

Recordou o caso de Micke Huckabee, que usou o tema dos Survivor "Eye of the Tiger", o de John McCain, que utilizou duas canções de John Mellencamp, o do Comité Nacional Democrata que recorreu às "True Colors” de Cyndi Lauper ou o de Scott Walker que irritou a banda Dropkick Murphys (o grupo respondeu-lhe no Twitter que o detestava). Outro exemplo mais antigo foi o de Ronald Reagan, que usou o tema “Born in the USA” de Bruce Springsteen, sem ter percebido que a letra falava sobre a Guerra do Vietname.

O episódio deste domingo do programa de John Oliver teve como foco a Convenção do Partido Republicano, que o humorista descreveu como “o acontecimento mais apocalíptico a ter lugar numa cidade onde um rio repetidamente se enche de chamas”.