Os organizadores do Festival Bråvalla, que acontece todos os anos na Suécia, decidiram cancelar a edição de 2018 depois de terem sido apresentadas várias queixas de violência sexual pelo segundo ano consecutivo. A polícia afirma que está a investigar pelo menos uma dúzia de denúncias de abuso sexual e pelo menos quatro casos de violação reportados nos quatro dias do evento, entre 28 de Junho e 1 de Julho, refere o site Russia Today

Uma adolescente terá sido violada durante um concerto na sexta-feira, informou a polícia no sábado. As autoridades acrescentam que estão a investigar vários relatos de abuso sexual durante o concerto do músico local Håkan Hellström.

A organização do festival emitiu um comunicado, onde lamenta os acontecimentos. 

Palavras não são suficientes para descrever a tristeza que sentimos. Lamentamos e condenamos estes actos. Não aceitamos isto no nosso festival", lê-se na nota da FKP Scorpio, citada pelo jornal Expressen.

"É um enorme problema social que afeta todas as partes da nossa sociedade, não é só em festivais que acontece. Há cerca de uma centena de violações todos os dias na Suécia e é um desafio que a sociedade enfrenta", acrescenta.

A empresa alemã responsável pelo festival desmente os rumores de que o evento iria ser cancelado devido a prejuízos financeiros e não por questões éticas e de segurança.

Obviamente, não é bom financiar um festival associado a violência e insegurança."

Mais denúncias de crimes sexuais continuam, entretanto, a chegar às autoridades. No domingo, outras três mulheres reportaram incidentes.

Até agora, a polícia não identificou nenhum suspeito, mas elogia a decisão dos organizadores de cancelar o evento no próximo ano.

É minha opinião pessoal que não se pode realizar um festival que tem antecedentes criminais, não deve haver festival", disse Thomas Agnevik, porta-voz da polícia, ao Expressen.

Na edição de 2016 do Bråvalla Festival, que todos os anos atrai cerca de 40 mil pessoas, tinham sido reportados cinco casos de violação e 12 de abusos sexuais. 

Do cartaz deste ano fizeram parte nomes como Kanye West e Iron Maiden. Aos festivaleiros, deixaram um apelo: "Deixem que ganhe a música, acabem com o ódio e a violência".