Bebel pondera deixar de ser Gilberto
A cantora brasileira tem grande orgulho em «papai» e não esconde a influência que o trabalho de João Gilberto e de Miúcha exercem sobre si. Mas quer ser cada vez mais independente
Por: Redacção/ Manuela Micael | 2009-10-24 11:40Bebel quer ser mais independente e pondera deixar de ser Gilberto. A artista brasileira não esconde, em entrevista ao IOLmúsica,
o orgulho nos pais - João Gilberto e Miúcha -, mas quer ser mais... independência. Quer deixar de ser vista como «a filha
de João Gilberto» e passar a ser simplesmente Bebel.
«Eu tento evitar o máximo que posso [o rótulo de "filha de João
Gilberto"]. Assim que eu puder, vou tirar o Gilberto do meu nome. Mas sem tristeza. Na boa! Porque acho que tem uma altura
da vida em que você tem de virar só Bebel. Mas adoro! Nada melhor do que ter um pai como o meu pai. Ele é muito legal», revela
a artista brasileira.
Filha de músicos e sobrinha de músico (é sobrinha de Chico Buarque), Bebel reconhece que teve
uma infância diferente e não renega a herança. Nem tudo é bom, mas Bebel não esconde o brilho nos olhos quando fala dos pais
e do tio. «Tem a coisa da cobrança, mas tem a maravilha de ter aprendido e aprender sempre com a música e o jeito de viver
dos artistas e dos músicos. Eu nunca tive muita disciplina e sempre fui muito solta. (...) Passei muito tempo separada dos
meus pais, nunca tive muita disciplina, nunca fui mandada a uma escola de música, o que poderia ter feito de mim uma melhor
artista», conta.
Completamente apaixonada
Bebel vive há 18 anos em Nova Iorque e confessa que, do
Rio de Janeiro, sente falta das praias e da avó centenária. Mas é na cidade que nunca dorme que tem a casa e a vida. Casada
com um engenheiro de som, que trabalha na sua equipa, Bebel faz questão de dizer que está completamente apaixonada. «Ter um
marido engenheiro de som, sendo música e cantora, é uma das melhores coisas. Recomendo», ri.
Mais a sério, conta
que o estado de paixão em que vive se reflecte no seu trabalho. «O estado de espírito sempre influencia a sua música. A dor
é boa. Uma dor de cotovelo dá uma boa música. Mas a felicidade é muito bom para a música», diz.
Vídeo:
O
disco que tem tudo!
Num hotel de Lisboa, com um piano a ser afinado ao fundo, Bebel também fala de música. Da
«sua» música. E do mais recente trabalho, que agora vem apresentar em Portugal. «All in One» é, diz ela, um trabalho mais
completo, que reflecte uma maior maturidade. «É um disco que tem all in one. Foi gravado na Jamaica, na Baía e em Nova
Iorque. Tem um número de produtores como eu nunca tive. (...) Tenho de os contar com duas mãos. (...) Tem essa coisa de fechar
um ciclo e de eu estar mais madura. Acho que eu quero crescer mais um pouco. Finalmente!», considera.
Não gosta que
classifiquem a música que faz na Bossa Nova ou em qualquer outro estilo. «Essa coisa do rótulo fica meio chato. (...) Eu faço
música. Sempre fico tentando evitar e fico ali martelando», reivindica.
... até um pouco de Portugal
E
como este disco tem tudo, tem também um pedacinho de Portugal. Bebel canta uma música de Carmen Miranda, em jeito de homenagem.
Mas, meio a sério, meio a brincar, não deixa de reivindicar para o Brasil a nacionalidade de Carmen e não resiste à provocação:
«Será que é portuguesa ou é Brasileira?». Mas logo se redime: «Claro que é portuguesa. Ela ia tremer - claro que é portuguesa.
Eu respeito a Carmen».
Para segunda-feira, na Aula Magna, Bebel Gilberto promete cantar o «Chica Chica Bom Chic»,
de Carmen Miranda. Mas promete ir muito mais além. Promete um concerto «All in One», com trabalhos do último disco, mas também
um revisitar da carreira. Fiquem os fãs descansados, que os clássicos de Bebel não vão faltar.

