As comemorações dos 75 anos do Ateneu de Coimbra em 2015 terminam com um concerto de Sérgio Godinho, "velho amigo" da instituição, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), no sábado, e com uma conferência no dia 16.

No sábado, o Ateneu organiza um concerto de Sérgio Godinho, contando ainda com a presença da Tuna Souselense, com algumas das "Canções Heróicas" de Fernando Lopes-Graça e do grupo Macadame, que vai interpretar vários temas da música tradicional portuguesa.

Sérgio Godinho "é um velho conhecido do Ateneu", havendo uma "proximidade natural" relacionada com o movimento artístico associado ao Ateneu e às figuras que por lá passaram, disse à agência Lusa um dos membros da comissão organizadora das comemorações, Tiago Jerónimo.

Ainda este ano, o Ateneu organiza uma conferência intitulada "Histórias do Ateneu", no Teatro da Cerca de São Bernardo, no dia 16, em que convida várias pessoas que passaram pela instituição a "falar das suas histórias e experiências", referiu.

Desde outubro que o Ateneu de Coimbra comemora os seus 75 anos, contabilizando-se mais de dez eventos, entre conferências, concertos e uma exposição, que não se centram apenas numa retrospetiva da história desta casa.

"O Ateneu não tem só história. Tem presença. E as duas coisas estão presentes nas comemorações. Tivemos, por um lado, atividades que fazem parte da intervenção atual do Ateneu, como conferências com temas de atualidade e alguns espetáculos. E, por outro lado, tivemos algo mais retrospetivo, como a exposição de fotografia que está no Ateneu e vai estar patente no TAGV", frisou Tiago Jerónimo.

O bilhete para o concerto de Sérgio Godinho no TAGV tem um custo de 15 euros e a conferência no Teatro da Cerca é de entrada gratuita.

Segundo o presidente do Ateneu, João Duarte, o programa de comemorações vai-se estender para 2016.

Constituído em 1940 por dissidentes do Grémio Operário, intelectuais, membros do Partido Comunista, operários e comerciantes ligados a ideais republicanos e anarquistas, o Ateneu formou-se logo com o objetivo de, através da cultura, apresentar oposição política, acabando por sofrer com isso, como recorda Augusto Monteiro, membro do Ateneu: após várias prisões de associados, "a coletividade nem eletricidade tinha".

O Ateneu organizou um grupo de teatro, um projeto de alfabetização, a par de bailes e campeonatos de damas e xadrez, e desenvolveu uma vertente social de auxílio a famílias de presos políticos, durante a ditadura, e de apoio alimentar e médico a pessoas com dificuldades que viviam na Alta de Coimbra.