Julgamento das Pussy Riot começa hoje em Moscovo
As três mulheres, que se manifestaram contra o presidente Putin numa igreja, são acusadas de «hooliganismo» e podem ser condenadas a 7 anos de prisão
Por: Redacção/ JCS | 2012-07-30 12:18O julgamento de três elementos da banda punk Pussy Riot começou esta segunda-feira em Moscovo. As três mulheres foram presas
pela polícia em março depois de terem subido ao altar de uma igreja ortodoxa na capital russa para protestarem contra o apoio
do clero ao presidente Vladimir Putin.
Segundo o jornal «The Guardian», este será um teste à capacidade do Kremlin
em tolerar demonstrações públicas de descontentamento contra a liderança de Putin, o homem que há 12 anos domina o cenário
político na Rússia.
Maria Alyokhina, de 24 anos, Nadezhda Tolokonnikova (22) e Yekaterina Samutsevich (29) estão
detidas preventivamente há quatro meses e são acusadas de «hooliganismo» e atentado à liberdade religiosa, enfrentando uma
pena que pode ir até aos sete anos de prisão. «Não quisemos ofender ninguém. Admitimos a nossa culpa política, mas não a nossa
culpa legal», disse Tolokonnikova, citada pela agência Reuters.
De cara coberta com máscaras, imagem de marca das
Pussy Riot, as três mulheres lideraram a manifestação na catedral ortodoxa em fevereiro, subindo ao altar e pedindo à Virgem
Maria para expulsar Vladimir Putin do poder.
«Não somos inimigas dos cristãos, os nossos motivos são exclusivamente
políticos», disse Tolokonnikova numa declaração lida durante este primeiro dia de julgamento.
«Só queremos que a
Rússia mude para melhor», acrescentou.
A prisão das Pussy Riot e o seu julgamento já foram criticados por várias
figuras da oposição russa, bem como por músicos dos Red Hot Chili Peppers ou Mike Patton, dos Faith No More.
O advogado
Gennady Gudkov disse à Reuters que «o julgamento nada tem a ver com a lei, é meramente uma represália política». «A acusação
contra as Pussy Riot é um caso sem precedentes de estupidez e brutalidade por parte das autoridades», afirmou.
Uma
das preocupações dos defensores das Pussy Riot é que o julgamento repita o que aconteceu em 2010, quando o empresário Mikhail
Khodorkovsky foi condenado à prisão, naquela que foi, segundo os opositores de Putin, uma manobra bem sucedida para afastar
um homem que ameaçava a hegemonia política do atual presidente russo.
