O guitarrista e compositor António Chainho, que atua na sexta-feira, em Lisboa, disse à Lusa que tem procurado «novas aragens para a guitarra portuguesa, reflexo das suas viagens e do seu contacto com as músicas do mundo».

António Chainho, a celebrar 50 anos de carreira, atua na sexta-feira, às 21:00, no grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), onde apresenta o álbum «Cumplicidades», editado a 23 de março último, com alguns dos músicos com que o gravou.

O guitarrista, de 77 anos, partilha o palco do CCB com Sara Tavares, Ana Bacalhau, Hélder Moutinho, Paulo de Carvalho, Paulo Flores, Pedro Abrunhosa, Ciro Bertini e Tiago Oliveira.

«Dada a complexidade de agendas, é difícil ter todos os que participaram no disco num só espetáculo, como gostaria, e assim uns participam em Lisboa, outros num espetáculo a realizar no Porto e, sempre que possível, convido um ou outro, para outros concertos que tenho agendado, como já aconteceu com o Paulo de Carvalho», disse António Chaínho à Lusa.

Referindo-se ao CD, o músico afirmou que não contava que «tão grandes e sonantes nomes aderissem» e reconheceu que ficou «impressionado». Entre os nomes que o surpreenderam referiu os de Rui Veloso e Pedro Abrunhosa, que interpretam, respetivamente, «O cartola» e «Breve e belo é o cisne».

«Quando liguei para o Rui [Veloso], quando o convidei, disse-me logo: ‘até que, enfim, que me convidas para trabalhar contigo, é uma honra’. O Pedro Abrunhosa foi uma sugestão do meu agente, o Nuno Sampaio, que me disse que ele admirava o meu trabalho e que aceitaria o convite, e de facto assim foi», contou.


«Sinceramente nunca pensei que tivesse todos estes artistas, e com a facilidade que foi, o terem aceitado e muitos deles frisando que era uma honra, que conheciam o meu trabalho, que a gente nunca tem essa ideia que os outros conhecem o nosso trabalho», afirmou o músico que se afirmou «muito contente» com o resultado final.


O CD «Cumplicidades» é constituído por 18 temas, entre canções e instrumentais, e conta com a participação, além dos músicos que atuam sexta-feira no CCB, de Vanessa da Mata, Ana Vieira, Filipa Pais, Paulo Flores, Kepa Junkera, Fernando Ribeiro e Raul Oliveira.

Com Ana Bacalhau, António Chainho afirmou que «tinha já um projeto, ainda antes dos Deolinda, que depois não se concretizou», e Vanessa da Mata foi «uma boa sugestão» da discográfica, pois Maria Bethânia, também a celebrar 50 anos de carreira, «não tinha agenda compatível».

O músico afirmou que «os convidados foram uma ‘multiescolha’, alguns da minha parte, outros sugeridos pela discográfica, outros pelo produtor Ciro Bertini, e outros pelo meu agente, o Nuno Sampaio».

António Chainho, de 77 anos, disse à Lusa que desde que se iniciou como músico de fado, este género «evoluiu naturalmente, e existe hoje uma grande diferença, relativamente à década de 1960».

«A guitarra portuguesa era apenas vista como um instrumento ligado ao fado, e havia que a levar a respirar outras sonoridades, e é o que tem acontecido e fico muito contente. Claro que o fado é indissociável da guitarra portuguesa, não é fado sem ela, mas há outras possibilidades, e atualmente há muita gente nova a tocar bem a experimentar, o que é importante para o crescimento do instrumento», disse.


«Uma das coisas que atualmente me deixa feliz é existirem escolas de guitarra portuguesa, pelas quais me bati há 20 anos», realçou.

Referindo-se à sua criação musical, o músico afirmou que reflete «mestiçagens, fruto dos contactos com as músicas do mundo».

«Tenho procurado traçar novos caminhos para guitarra portuguesa, e a minha música reflete as muitas viagens que fiz, os músicos com quem contactei e com quem trabalhei, procura o respirar as músicas do mundo», rematou.