A «música de interjeição», segundo os Anaquim

Em entrevista ao IOL Música, banda de Coimbra falou sobre o novo álbum, «Desnecessariamente Complicado»

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/ Manuel Lino (imagem) e Luís Silva (edição de imagem)    |   13 de Março de 2012 às 01:51
É já no próximo dia 16 de março que os Anaquim dão o primeiro de três concertos de apresentação do seu novo disco. O Teatro Gil Vicente, em Coimbra, recebe as novas canções de «Desnecessariamente Complicado», álbum que lança um olhar atento sobre a situação socioeconómica do país.

«[O disco] caracteriza a sociedade em que vivemos hoje em dia, em que há um pouco uma subversão de valores, uma subversão de estratégias. E parece que os fins são sempre atingidos apenas com percursos complicados, desnecessariamente complicados, quando, se calhar, seria mais simples levar a vida por outros caminhos mais prazerosos e mais básicos», contou José Rebola, principal letrista e compositor do grupo, em entrevista ao IOL Música.

Pedro Ferreira, multi-instrumentista por quem passam teclados, guitarras e acordeões, acrescentou que os Anaquim não pretendem ficar-se apenas pela crítica, mas também lançam «um olhar interventivo de quem aponta [o caminho], de quem tira as mãos dos bolsos e se põe em ação».

Mais do que música de intervenção, os Anaquim acreditam que fazem «canções de interjeição». José Rebola assim o explicou: «A música de intervenção não pode estar eternamente ligada à música de há 40 anos. E começa a surgir uma nova geração valorosa, da qual nos orgulhamos de fazer parte, e que resume estados de espírito, um sentido coletivo de frustrações e de lamentos. E surgem as interjeições - o "Chega!", o "Basta!"».

Um disco que mostra os Anaquim mais como uma banda do que como projeto pessoal de José Rebola, «Desnecessariamente Complicado» contou com vários convidados musicais. A colaboração com Viviane, ex-vocalista dos Entre Aspas, começou no Facebook e acabou em estúdio.

«Ela chegou [ao estúdio] (...) e deu-nos a todos uma lição de humildade, de talento e de saber fazer. Estamos a falar de uma pessoa que está aqui há 20 anos com provas mais do que dadas», recordou José.

«Resultou muitíssimo bem e, quem sabe, vamos tê-la nos nossos primeiros concertos», completou.

Depois da atuação na sua cidade natal, a banda de Coimbra passará também pelo Hard Club, no Porto, a 17 de março, e pelo MusicBox, em Lisboa, no dia 20. Até lá, o novo single já pode ser escutado e visto num vídeo que foi gravado no sótão da casa dos avós do vocalista.

«[Foi] com o barulho mantido ao mínimo, para não os perturbar. Eles estavam em casa, no andar de baixo», explicou o mentor dos Anaquim, para quem a centenária casa na cidade de Coimbra tem uma «carga [emocional] muito grande».

«O sítio é lindíssimo. (...) Esse vídeo faz parte de sete temas que foram gravados e que vão ser lançados em breve em formato vídeo. É tocado ao vivo e nós queríamos passar a nossa imagem para além do duende [Anaquim] (personagem principal no primeiro disco do grupo). E a nossa melhor imagem é a tocarmos as nossas músicas e a fazê-lo com muito gosto, como fazemos sempre», disse José Rebola.
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