O mestre da guitarra portuguesa António Chaínho diz olhar agora para o fado «com grande respeito». António Chaínho encara com naturalidade as diferenças entre o fado de agora e aquele que se cantava quando começou a dedilhar a guitarra.
 

«Teve a sua evolução natural», argumenta.

 
O músico, acabado de fazer 77 anos, não se recorda quando o fado lhe entrou pela vida adentro. «Comecei a ouvir o fado quase no ventre da minha mãe, porque ela cantava muito bem o fado», revela.


 
António Chaínho não consegue eleger um único grande momento da carreira, mas recorda a surpresa que causou a sua guitarra aos músicos britânicos: «Quando gravei com a Orquestra Sinfónica de Londres, em 1996, os músicos não acreditavam que era só um instrumento».
 
A guitarra portuguesa foi a grande companheira durante o serviço militar em Moçambique. Chaínho ensinou «um alferes a tocar viola» e as noites, no mato, eram passadas ao som da música. «Eu fiz tropa em Mueda, mas a guerra começou pouco tempo depois de eu sair de lá. Levava a guitarra quando íamos fazer reconhecimentos, porque era a grande distração da companhia», conta.
 
Ao Jornal das 8 da TVI, António Chaínho trouxe um pedaço do seu novo disco, «Cumplicidades», que conta com a participação de nomes como Pedro Abrunhos, Paulo de Carvalho, Sara Tavares e Vanessa da Mata. Outra das cúmplices é Ana Bacalhau, a voz dos Deolinda, que cantou o vivo «Certo dia», um fado cuja letra foi escrita por ela e com música do mestre.

Ana Bacalhau canta acompanhada de António Chaínho (VÍDEO)
 
Ana Bacalhau não esconde o orgulho que é cantar o lado do mestre: «A alegria, todas as emoções que sentimos quando ouvimos o mestre António Chaínho. É a vida inteira que está ali dentro e que está nos dedos do mestre».