A versão ao vivo do disco «Desfado», de Ana Moura, gravado no festival de fado de Alfama, em setembro do ano passado, venceu o Prémio Amália para o Melhor Disco do Ano.

«O júri decidiu atribuir o prémio a este álbum pelo que ele encerra de qualidade poética, musical e interpretativa. Mas, sobretudo, brindar a originalidade do tema que lhe dá título e que em nada belisca a tradição, na inovação para a evolução», lê-se no comunicado enviado à Lusa.

Esta é a segunda vez que a fadista Ana Moura foi distinguida com um Prémio Amália. Em 2008 recebeu o Prémio Melhor Intérprete.

Ao editor discográfico Rui Valentim de Carvalho, que morreu aos 82 anos, em novembro passado, foi atribuído o Prémio Tributo.

Ainda na área discográfica, o júri distingue o técnico de som Hugo Ribeiro, de 88 anos, com o Prémio Especial do Júri. Amália Rodrigues em várias entrevistas afirmou que «ninguém gravava melhor» a sua voz como Hugo Ribeiro.

A Associação das Coletividades do Concelho de Lisboa foi distinguida com o Prémio Divulgação, e o investigador Jorge Trigo irá receber o Prémio Edição Literária, uma novidade da edição deste ano.

O Prémio Internacional é atribuído à Diplomacia Francesa - o Ministério dos Negócios Estrangeiros de França.

Os fadistas José Manuel Barreto e André Baptista, o investigador Jorge Trigo e o poeta Manuel Alegre também fazem parte do lote de distinguidos.

O júri atribuiu o Prémio Amália Intérprete a José Manuel Barreto, de 70 anos, que começou a atuar como fadista profissional, nos finais da década de 1980, ao lado de Nuno da Câmara Pereira e Teresa Tarouca, na casa de fados Nove e Tal, em Lisboa.

O Prémio Revelação foi atribuído ao fadista André Baptista, que se estreou discograficamente com o álbum «Um Fado Nasce», produzido e concebido por Gonçalo Salgueiro, numa homenagem a Alberto Janes, compositor de Amália, e que editou no ano passado o CD «Gentes de Fado».

Frei Hermano da Câmara, de 80 anos, é distinguido com o Prémio Carreira. O Prémio Saudade/«Lembrar para Honrar» foi este ano atribuído a Alfredo Marceneiro, falecido em 1981, autor de fados que continuam a fazer parte do repertório de todos os fadistas.

O poeta Manuel Alegre, de 78 anos, de quem, entre outros poemas, Amália cantou «Meu amor é marinheiro» e «Trova do vento que passa», foi distinguido com o Prémio Autor.

O fadista, guitarrista, construtor de guitarras, poeta e compositor Carlos Macedo, de 67 anos, foi distinguido com o Prémio Compositor.

Marta Pereira da Costa, que toca guitarra portuguesa, e este ano já se apresentou, entre outros países, na Roménia e nos Estados Unidos, foi distinguida com o Prémio Instrumentista.

Os Prémios Amália são uma iniciativa da Fundação, instituída por vontade testamentária da fadista falecida há cerca de 15 anos, e foram criados em 2005.

Este ano, o músico Tozé Brito presidiu ao júri, que foi ainda constituído pela produtora musical Conceição Carvalho, a maestrina Joana Carneiro, que em 2010 recebeu o Prémio Amália de Música Erudita, a produtora de rádio e televisão Cristina Condinho e o realizador de rádio Joaquim Maralhas.

Os prémios serão entregues no Teatro Municipal de S. Luiz, em Lisboa, numa gala a realizar no dia 6 de outubro, precisamente quando se completam 15 anos sobre a morte de Amália Rodrigues.