Não foi o arranque típico de um festival de verão. Depois de duas semanas de temperaturas altas e sol escaldante, esta foi uma sexta-feira cinzenta nos céus e com a ameaça de chuva a pairar dia e noite. À falta de «bom tempo», houve muita música, e para gostos variados, no primeiro dia do Optimus Alive'13, no Passeio Marítimo de Algés.

Green Day, no Palco Optimus, e Vampire Weekend, no Palco Heineken, foram os grandes atrativos nesta primeira etapa do festival e não defraudaram as expectativas. Os primeiros encheram as medidas no maior palco do recinto e mostraram o que é isso de ser uma mega-banda de rock. Os segundos deixaram a tenda que os recebeu a rebentar pelas costuras com vários milhares de fãs sempre prontos para dançar e pular.

Os Vampire Weekend teriam certamente seguidores suficientes para animarem a multidão no Palco Optimus, mas a escolha é deliberada: a organização insiste que no Alive não existem os chamados «palcos secundários». E assim ganham certamente os fãs das primeiras filas, que ficam bem mais perto das suas bandas preferidas.

O dia no Palco Optimus começou com sotaques vindos do Reino Unido. Às 18h00 com os galeses Stereophonics (com o seu rock que não chateia ninguém, mas que também não move montanhas), e cerca de uma hora mais tarde com os escoceses Biffy Clyro.

De regresso a Portugal e ao Alive, e como sempre em tronco nu, o trio (em palco são aliás cinco) contou com uma considerável legião de fãs conhecedores de novas e velhas canções, e em quase uma hora mostrou que tem asas (e música) para voos mais altos.

Quem sabe se um dia não serão eles cabeças-de-cartaz de um festival, e «The Captain» ou «Mountains» os pontos altos da noite. É esperar e ver, mas, para já, o equilíbrio entre o peso e a melodia no rock destes três bem-dispostos escoceses continua a convencer-nos.

No lado oposto do recinto, no Palco Heineken, a energia crua do rock era cozinhada aos pares. No feminino com as Deap Vally, desafiadas por um fã com um cartaz onde se lia qualquer coisa como «Lindsey, dá-me as tuas cuecas!». E depois no masculino com os Japandroids, mas mantendo o duo voz/guitarra e bateria.

Já depois da passagem dos Two Door Cinema Club pelo Palco Optimus, alimentada por singles como «I Can Talk», os Green Day surgiram em cena por volta das 22h00. A máquina continua bem oleada e os problemas de Billie Joe Armstrong com álcool e drogas parecem ser coisa do passado.

Tal como em 2009, no Pavilhão Atlântico, a banda norte-americana apresentou um espetáculo que vai para além do recordar de êxitos do passado, como «Basket Case», e da celebração de singles mais recentes, como «Oh Love».

Houve chamadas de fãs ao palco - uns fizeram malabarismo com baquetas de bateria, outros tocaram com a guitarra de Billie Joe e puderam levá-la para casa. Houve bandeiras portuguesas exibidas em palco, a puxar pelo orgulho do público. Houve vénias do vocalista, em joelhos, em resposta ao coro de vozes que cantava letras completas do início ao fim. E houve Carnaval, com os músicos mascarados e a lembrarem clássicos como «(I Can't Get No Satisfaction)» (Rolling Stones) e «Hey Jude» (Beatles).

De volta ao Palco Heineken, os Vampire Weekend traziam na bagagem as novas canções de «Modern Vampires of the City», incluindo o próximo single, «Unbelievers», cujo vídeo está a ser filmado por estes dias em Lisboa e arredores.

Porém, e sem surpresas, foram temas dos dois primeiros discos que fizeram explodir a plateia sedenta de dança. Abrir o concerto com «Cousins», manter os ânimos em ebulição com «Holiday» e «Horchata», usar trunfos como «A-Punk», e fechar as contas com «Walcott» - foi esta a receita de sucesso destes nova-iorquinos que pegam no rock e o levam pela world music fora (é impossível não escutar África naquelas batidas).

O Optimus Alive continua este sábado com Depeche Mode, Editors e Jurassic 5, entre outros.