O terceiro e último dia do Optimus Alive'13 terminou com uma certeza: um festival não se faz só de cabeças-de-cartaz e nomes premiados com discos multiplatinados. E a falta de frescura além-singles dos Kings of Leon foi compensada com uma mão cheia de atuações bem mais conseguidas nos dois principais palcos - desde os Tame Impala até aos Phoenix, passando pelos Band of Horses, Alt-J e Linda Martini.

O quarteto português foi o primeiro a subir ao Palco Optimus pelas 18h00 para um curto mas potente concerto que voltou a levar ao Passeio Marítimo de Algés refrães como «o chão que pisas sou eu» («Amor Combate») e «parecemos putos, não temos aulas amanhã» («Juventude Sónica»). Os fãs já souberam também entoar «os ratos vão-me devorar», do novo single, «Ratos», o primeiro cartão de visita de um disco a editar no final de setembro.

Ao pós-rock dos Linda Martini seguiu-se o rock e a folk do miúdo Jake Bugg. Este inglês de 19 anos, de voz comparada à de Bob Dylan (há semelhanças, mas sem nenhuma colagem óbvia), mostrou dotes na arte de criar canções e também como eficiente herói da guitarra. E singles radiofónicos como «Lightning Bolt» ajudaram quem não o conhecia a juntar-se à festa.

Da Austrália vieram os Tame Impala com a dose certa de psicadelismo num rock que tem conquistado fãs em Portugal. Tal terá acontecido mais uma vez, agora no Alive, numa atuação vibrante, em ambiente de jam de improviso, e em que couberam os mais recentes «Feels Like We Only Go Backwards» ou «Elephant», mas também temas do primeiro álbum, como «Solitude Is Bliss». Já merecíamos um concerto a «solo» deste quinteto que um dia viajou até aos anos 1960 e '70, e que, felizmente, de lá não mais voltou.

Três anos após o cancelamento da participação no Optimus Alive, os franceses Phoenix fizeram finalmente a estreia no festival de Algés. Mais do que matar saudades da banda que tinha atuado pela última vez no nosso país há quatro anos, no festival Sudoeste, os fãs portugueses puderam finalmente celebrar ao vivo e a cores algumas das canções que têm levado os Phoenix a novos patamares (em 2010 venceram um Grammy para Melhor Álbum de Música Alternativa).

«Entertainment», de melodias orientais cruzadas com o rock de guitarras distorcidas e sintetizadores abertos, ditou logo ao primeiro tema que o público sabia ao que vinha - apesar de novo, o single do recém-editado quinto álbum dos Phoenix foi recebido como um clássico.

«Lisztomania», «Run Run Run» e «1901» marcaram outros dos momentos altos de uma atuação enérgica e que muito animou a plateia em frente ao Palco Optimus. A própria banda francesa também pareceu ter gostado da receção calorosa dos portugueses, e o vocalista Thomas Mars acabou por ser o segundo homem do dia a «surfar» no mar de gente à sua frente (o primeiro «crowdsurfer» tinha sido o já habitual Hélio Morais, baterista dos Linda Martini).

Os Phoenix assinaram um dos melhores concertos de todo o festival, e também eles estão mais do que convidados a repetirem a dose em Portugal num futuro espetáculo em nome próprio.

Quanto aos cabeças-de-cartaz deste último dia, os Kings of Leon conseguiram, sem dúvida, juntar muito público à espera da sua atuação. Ou melhor, a julgar pela reação de grande parte do público, à espera dos dois maiores singles da banda norte-americana.

É que para além de «Use Somebody» e «Sex On Fire», definitivamente hinos gigantes para várias dezenas de milhar de fãs ocasionais, faltou chama àquele que foi o último concerto da digressão europeia dos Kings of Leon.

Alt-J, Band of Horses e Django Django, no Palco Heineken, foram outros dos concertos que muito público chamaram durante este domingo.

Segundo a organização do Alive, passaram pelo festival 150 mil pessoas durante os três dias do evento, uma média de 50 mil pessoas por dia. A oitava edição do festival está já marcada para os dias 11, 12 e 13 de julho de 2014. Até lá!