O músico português Frankie Chavez edita esta semana o segundo álbum, «Heart & Spine», que se encaixa na trindade musical blues-folk-rock, com canções que falam da vontade de ultrapassar obstáculos, disse o autor à agência Lusa.

«Heart & Spine» é editado três anos depois de «Family Tree» e a grande diferença está, não na génese musical, mas na aproximação às influências: «Este disco está mais cru, mais elétrico do que o outro, tem um espetro musical maior», descreveu.

O guitarrista e cantor gravou o álbum num registo mais próximo do que é ao vivo e contou, desta vez, com uma participação maior do músico João Correia (Tape Junk, They're Heading West e Julie & The Carjackers), na bateria.

«As canções foram compostas ao longo destes dois ou três anos, nos quais dei alguns concertos - felizmente tive sempre onde tocar - e habituei-me à sonoridade ao vivo, e isso nota-se neste disco», explicou.

Além de João Correia, o novo álbum conta com as participações de Nuno Lucas, Erica Buettner, com quem gravou o dueto «Don't leave tonight», Selma Uamusse, Daniel Lima, Pedro Pinto, Fred Martinho e o Groove Quartet.

«Heart & Spine» é uma edição da Search Records, editora independente que Frankie Chavez criou, batizada com o título do primeiro tema que compôs, e tem distribuição da Universal Music.

A par deste álbum, e da estreia com «Family Tree» (2011), Frankie Chavez editou ainda o EP, homónimo, em 2010, e compôs para um filme sobre surf e para o documentário «Pare, escute, olhe», de Jorge Pelicano.

«Gosto de fazer música para filmes documentais, que me permitem deambular pelas guitarras, gosto dos documentários por isso, deixam respirar a música», afirmou.

Frankie Chavez é Francisco Chaves, músico de 35 anos que se dedica por inteiro à música desde 2012, embora toque guitarra desde a infância.

Deixou o emprego na área do marketing para ser músico independente e hoje, apesar da crise e das oscilações do panorama da música, diz-se recompensado pelo «gozo de sentir e de ver a música a acontecer».

«Claro que se vendem menos discos, mas sinto que há um nicho de mercado para o que faço. Não estou preocupado se vou ser ou não um músico de massas; acho que não sou. Foi uma luta ser músico independente. Quando comecei, os promotores estavam a reservar-se um pouco, em concertos, mas consegui», disse.

O novo álbum foi feito com ajuda financeira de anónimos, através do sistema de «crowdfunding», pela Internet, um recurso que Frankie Chavez diz ser «uma troca entre um músico e alguém que acredita nos projetos».

«É um adiantamento financeiro para concretizar uma coisa e, ao mesmo tempo, tem esse lado de proximidade entre músicos e quem apoia o trabalho deles», justificou.

«Heart & Spine» servirá de base para os concertos dos próximos meses, que incluem passagem pelos festivais Rock in Rio Lisboa, Super Bock Super Rock, Summer Opening, na Madeira, e uma digressão por Itália, onde o disco será distribuído, a par de outros países.