A fadista Raquel Tavares atravessou o Oceano Atlântico, experimentou um repertório menos habitual, mas que a acompanha desde menina, e gravou um CD com 14 canções de Roberto Carlos.

Eu oiço Roberto Carlos desde menina. Eu tenho dois cantores desde sempre, o Roberto Carlos e o Rui Veloso, nomeadamente a partir dos álbuns ‘88’ e ‘Mingus e Samurais’, respetivamente”, contou a fadista à agência Lusa.

“Eu sei de cor o ‘88’, toda a minha vida ouvi Roberto Carlos, acho-o de facto ‘o rei’, tem uma carreia invejável, não o acho ‘démodé’ e lanço este desafio à minha geração de ouvir e descobrir este belíssimo repertório”, disse.

No Brasil, toda a gente gravou Roberto Carlos - Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Zeca Pagodinho, Maria Rita, Ivan Lins, e muito outros”.

O álbum “Roberto Carlos por Raquel Tavares. Do Fundo do Coração” é editado na próxima sexta-feira e inclui, entre outros temas, “Você”, "Sua Espudidez", “Fera Ferida”, “Detalhes” e “Emoções”.

As interpretações de dois temas são partilhadas: “Por Baixo dos Seus Caracóis”, com Caetano Veloso, para quem Roberto Carlos e Erasmo Carlos compuseram a canção, quando o criador de “Leãozinho” estava exilado em Londres; e “De Tanto Amor”, com Ana Carolina.

Este CD “foi um belíssimo presente para culminar este ano de 2017, que foi muito bom e bonito para mim”, disse a criadora de “Gostar de quem gosta de nós”, que realizou uma digressão este ano, por dez palcos nacionais.

O convite veio da discográfica da Sony Music Brasil, porque “o produtor Max Pierre teve a ideia de homenagear quem os brasileiros denominam como ‘o rei’, o senhor Roberto Carlos”.

Max Pierre, que assina a produção do CD, pretendia uma fadista a cantar o repertório de Roberto Carlos, que tem mais de 50 anos de carreira, “tanto mais que se vive um momento de grande aproximação do Brasil com Portugal, neste namoro tão bom”.

O passo seguinte, contou Raquel Tavares, foi obter a autorização de Roberto Carlos, que autorizou que cantasse as suas canções.

A fadista afirmou que “estava longe de fazer uma homenagem em disco a quem quer que fosse, quanto mais a ousadia de gravar Roberto Carlos”.

“Sinto-me muito lisonjeada por gravar Roberto Carlos, pois sei o quanto é difícil gravar Roberto Carlos. Ele e Erasmo Carlos defendem muito bem o seu espólio, e eu vivi no Brasil e sei quanto é difícil chegar a Roberto Carlos”, disse à Lusa Raquel Tavares.

Os 14 temas escolhidos são todos da parceria Roberto Carlos/Erasmo Carlos e, para a fadista, “não foi difícil entrar nestes temas, e interpretá-los”.

Do repertório do cantor brasileiro, Raquel Tavares escolheu 20 temas, e Max Pierre outros 20, tendo coincidido em 12 temas, disse.

O CD foi gravado “com grande emoção” em duas tardes, disse a intérprete que procura “cantar em português de Portugal e de uma maneira doce, e fazer soar delicado como é a poesia do Roberto”.

“Não quis impor a fadista”, disse Raquel Tavares, que reconhece um tom “um pouco mais fadista” na interpretação de “Cavalgada”.

“Vou ser eu mesma a cantar onde isto me transporta, onde me leva. Pode haver fadistice, mas é onde me levou naturalmente. Eu não tinha que impor a fadista, porque não fazia sentido nenhum”, sublinhou, acrescentando: “Eu não tinha de ser a fadista a cantar canções do Roberto Carlos, eu sou a Raquel com uma identidade muito forte, que é o fado, a cantar as canções do Roberto Carlos e ponto final”.

Para a intérprete, este foi “um disco fácil de gravar do ponto de vista interpretativo, da emoção, da criatividade”.

“Para ser sincera, 'tirei de letra'”, rematou.