A ilha Providencia é um local paradisíaco, apreciado por muitos turistas, em pleno mar das Caraíbas. Uma reportagem realizada pela BBC mostra agora o lado negro deste cenário, aparentemente idílico: as redes de tráfico de droga que operam na ilha e as centenas de pessoas que estão a desaparecer.

Com as operações de tráfico de droga nesta ilha, que pertence à Colômbia, muitos habitantes, envolvidos nas redes, acabaram presos noutros países ou simplesmente desapareceram sem deixar rasto. Embora os números não sejam oficiais, a investigação da BBC concluiu que existam pelo menos 800 homens desaparecidos, que deixaram as famílias sem qualquer informação sobre o seu paradeiro."Estamos a perder os nossos homens", disse um habitante à equipa de reportagem da BBC. 

"As mães choram porque os seus meninos foram e nunca mais voltaram. Ninguém sabe onde eles estão. Eles podem estar numa prisão em qualquer lugar do mundo. Nós simplesmente não sabemos."


Durante muito tempo, a ilha permaneceu imune aos problemas da Colômbia relacionados com o tráfico de droga. Mas a situação alterou-se quando os traficantes começaram a apreciar a posição geográfica da ilha e a usarem Providencia como um ponto de atração para o tráfico de droga. Os habitantes acabaram envolvidos nas teias, ao conduzirem os barcos destas operações.

Os habitantes “são o último degrau do comércio de tráfico de drogas. Eles conhecem os mares melhor do que ninguém e por isso são contratados como condutores das lanchas. Se eles entregarem com sucesso um barco cheio de drogas para o destino pretendido - o que pode ser em qualquer lugar de Honduras para a Flórida - eles fazem milhares de dólares. Se eles forem apanhados, acabam na prisão”, conta Amparo Ponton, um jornalista que viveu 25 anos na ilha.

A falta de oportunidades de trabalho na ilha é um dos principais motivos para esta situação. Muitos consideram que esta é apenas uma forma de ganhar dinheiro e, por isso, arriscam o envolvimento nestas operações.
 
Loreno Bent, por exemplo, é um morador na ilha de Providencia, que afirmou à BBC que esta atividade ilegal é a sua forma de subsistência, de conseguir dinheiro para o quotidiano. Neste trabalho a sua única preocupação é não matar ninguém para conseguir o dinheiro.  "As pessoas dizem que isso é dinheiro fácil, mas não - é a forma mais difícil de o obter. Se acordas de manhã sabendo que estás a colocar a tua vida em perigo, então não pode ser dinheiro fácil".