Os adeptos das corridas de Vila Real espalham-se por bancadas improvisadas em andaimes, muros ou varandas junto do circuito, ao longo do qual foram instaladas barracas de comidas e bebidas que ajudam a fazer negócio.

O circuito internacional de Vila Real começou este sábado e tem, pelo terceiro ano consecutivo, como prova principal o WTCC (Campeonato Mundial de Carros de Turismo), no qual compete o português Tiago Monteiro e, nesta etapa portuguesa, corre também o piloto local Manuel Fernandes.

As bancadas foram sendo improvisadas, principalmente em andaimes que, de ano para ano, são mais, mais altos e mais confortáveis.

Há também quem se instale em árvores, muros ou em varandas, próprias ou mesmo alugadas, de familiares ou de amigos.

Outros optam por acampar junto ao circuito. É o caso de Artur Veiga e Luís Alves que vieram do Caramulo e escolheram a zona da rotunda de Mateus para montar a tenda.

Luís Alves disse à agência Lusa que é um “fanático” pelo desporto motorizado e que, por isso, há três anos consecutivos vem ver o WTCC a Vila Real.

“É um ambiente fantástico. Este é um local seguro e tem boa visibilidade para a ‘chicane’ que temos aqui na zona de Mateus. É um circuito espetacular, que permite aos carros velocidades muito altas”, salientou.

Luís Alves aproveita para ver os carros a competir e tirar fotos para alimentar a sua página na rede social Facebook e a que chamou “Pick prego a fundo”.

Mesmo ao lado, a comissão de Festas de Mateus instalou uma barraca onde serve bebidas e comida, como bifanas ou panados.

“Fazemos aqui um ‘negociozinho’. Faz-se um dinheirinho arranjadinho, faz-se sim. O dinheiro que fazemos vai para a festa de Mateus”, afirmou Isabel Carvalho.

Maria de Lurdes ajuda a cozinhar e garante que este evento “é bom para Vila Real”.

“Gostamos muito das corridas, já vivemos isto há muitos anos. É uma emoção que voltou”, frisou.

Sérgio Dinis veio do centro da cidade para a rotunda de Mateus porque é um “ponto estratégico”. “Aqui os carros entravam em duas rodas e estamos a ver se, agora, eles fazem a mesma coisa”, frisou.

Do outro lado da estrada, Jorge Padilha instalou também uma barraca para fazer negócio, com a venda de bebidas e de comida, e fazer publicidade ao seu restaurante.

“É uma ajuda e, ao mesmo tempo, aqui conseguimos sentir a adrenalina e a emoção das corridas”, salientou.

O presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, destacou o impacto direto das corridas na economia, ao nível da hotelaria, restauração e de todos os setores de atividade locais.

Segundo dados fornecidos pela organização, a edição 2016 do circuito traduziu-se num impacto económico direto de cerca de 15 milhões de euros, com as principais despesas efetuadas pelos visitantes a repartiram-se entre o alojamento, refeições, transporte e souvenirs.

O impacto financeiro mediático (AVE) nacional foi “de aproximadamente 12 milhões de euros”. Por sua vez, o AVE internacional “foi de 50 a 60 milhões de euros, com destaque para as 146 horas de transmissão televisiva, em 78 canais de televisão de todo o mundo”.

No conjunto dos três dias de provas, cerca de 198 mil espectadores assistiram às corridas, o que representou um acréscimo de 10% relativamente a 2015.

Rui Santos disse ter a expectativa que os números sejam superados nesta edição, quer a nível do impacto económico quer de espectadores.