A indústria automóvel está em profunda revolução e a maior “vítima” são os automóveis alimentados a gasóleo, cujas vendas vão continuar a cair, até ao seu desaparecimento.

A mudança de paradigma já se faz sentir e é potenciada por três razões distintas. A primeira passa pelas dúvidas dos clientes relativamente às vantagens dos Diesel e a transparência nos consumos e emissões, especialmente a partir do “DieselGate” da Volkswagen e também das suspeitas que têm recaído sobre outros fabricantes.

A progressiva introdução de regras mais exigentes, tanto através dos novos ciclos de testes como pela obrigação de cumprir limites de emissões progressivamente mais restritivos, obriga a um investimento elevado em tecnologia, o que encarece significativamente os modelos.

Este aumento de custos já é evidente no desaparecimento de motores Diesel de reduzida cilindrada, nomeadamente os 1.2 e 1.4 TDi ou os 1.4 HDi. Outros modelos simplesmente deixaram de ter motores Diesel, como acontece com o Toyota C-HR, por exemplo.

Na vertente da legislação têm também impacto para muitos condutores as restrições à circulação nas cidades, com a ameaça de não ser permitida a entrada a veículos Diesel nos centros urbanos.

“A quota dos diesel tem vindo a cair progressivamente ao longo dos anos devido aos limites de emissões mais restritivos que tornam esta tecnologia mais cara”, explica Thomas Schlick, um especialista da empresa Roland Berger.

O analista lembra ainda impactos no mundo laboral, pois afirma que “as implicações da queda na procura dos modelos combustão são significativos para a indústria automóvel pois cerca de 1/3 dos postos de trabalho estão relacionados com as tecnologias de motorizações”.

Também a Comissária Europeia dos Transportes, Elzbieta Bienkowska acredita que os diesel vão ser descontinuados, embora admita que “o diesel não vai desaparecer de um dia para o outro”. “Mas tenho a certeza que desaparecerão muito mais rápido do que podemos imaginar”, acrescentou.

A reação ao desaparecimento do Diesel já se faz sentir. Praticamente todos os construtores estão a acelerar os programas de eletrificação para as suas gamas, sendo que a Mercedes-Benz antecipou o lançamento da submarca de carros elétricos EQ e a Audi pretende lançar 3 modelos elétricos até 2020.