A Amnistia Internacional (AI) alertou, esta segunda-feira, para o «retrocesso dos direitos fundamentais» na Rússia, no dia em que é acesa, em Moscovo, a tocha dos Jogos Olímpicos de Inverno, que se realizam em fevereiro, na cidade russa de Sochi.

Em declarações à agência Lusa, a diretora executiva da delegação portuguesa da AI, Teresa Pina, disse que a organização pretende aproveitar o momento para confrontar o Comité Olímpico Internacional e os dirigentes políticos dos países participantes na competição para «a erosão dos direitos humanos» na Rússia no último ano e meio.

De acordo com Teresa Pina, «a política altamente repressiva» do Presidente Vladimir Putin impede o exercício do direito de liberdade de expressão, associação, protesto e reunião.

O alerta da AI, organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos, ocorre quando se completam sete anos sobre o assassínio da jornalista e ativista Anna Polikovskaya, que não foi investigado, de acordo com a Amnistia Internacional.

A ONG lembra os casos dos «prisioneiros de consciência» Vladimir Akimenkov, Artiom Saviolov e Mikhail Kosenko, detidos há um ano, na sequência dos protestos na Praça Bolotnaya, em Moscovo, que se seguiram às eleições parlamentares e presidenciais de 2011 e 2012.

Em comunicado, a AI denuncia a legislação restritiva, que impõe multas pesadas para organizadores de manifestações pacíficas e ONG, e homofóbica, que permite a detenção de homossexuais, lésbicas, bissexuais, transgéneros e intersexuais em iniciativas próprias, por alegadamente promoverem «propaganda de relações não tradicionais entre menores».

A Amnistia Internacional recorda, ainda, o caso da banda punk Pussy Riot, com dois dos seus elementos a cumprir «uma sentença desproporcionada» de dois anos de prisão, apesar da «atuação pacífica, embora provocadora», do grupo na maior Igreja Ortodoxa russa de Moscovo, em 2011.