O ministro da Economia, Pires de Lima, congratulou-se, esta sexta-feira, com a revisão em alta da estimativa de crescimento divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística, que poderá traduzir-se numa evolução da economia superior à projetada pelo Governo para 2015.

"Fico sempre muito satisfeito quando o Instituto Nacional de Estatística (INE) confirma aquilo que nós próprios temos vindo a dizer sobre a economia portuguesa. Cresceu no primeiro trimestre 1,5% e está a dar os passos para que o ano de 2015 seja um ano de crescimento, provavelmente, até bem superior àquele que o Governo, com prudência, tinha projetado."


O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu em alta as suas estimativas de crescimento da economia portuguesa no primeiro trimestre, para 1,5%, face à anterior previsão de 1,4%.

Comparativamente com o trimestre anterior, o PIB aumentou 0,4% em termos reais, com o contributo positivo da procura interna, refletindo o crescimento do investimento e do consumo privado, enquanto o contributo da procura externa líquida foi negativo.

O ministro, que falava no Ministério da Economia, em Lisboa, destacou a evolução positiva das exportações - com um crescimento de 7% durante os primeiros três meses do ano -, bem como os dados da formação bruta de capital fixo "que são os melhores desde 1998, com um crescimento de quase 10%".

"Devo dizer que não me surpreende atendendo a que o setor da construção entrou agora, finalmente, numa fase de alguma recuperação e depois, os dados do consumo privado também são um sinal positivo."


Pires de Lima sublinhou ainda que a recuperação económica deve assentar "em três motores: exportações, consumo privado e investimento", considerando que o país está "no bom caminho".

"É um caminho que devíamos todos tentar proteger, não ameaçar, e que tem muito a ver com a capacidade dos portugueses e também com a reputação que Portugal foi ganhando nos últimos tempo junto dos investidores."


Governo está a trabalhar para que a TAP seja "bem privatizada"


O governante assegurou que o Executivo está a trabalhar "afincadamente" para que a TAP seja "bem privatizada", considerando que qualquer cenário alternativo seria "muito triste" para a companhia.

"Creio que seria bom que a TAP viesse a ser privatizada, é nesse sentido que estamos a trabalhar e estou confiante de que isso será possível. É a melhor forma de proteger a TAP, de proteger o interesse nacional, de assegurar que a TAP tem capital para poder crescer e desenvolver-se."


De acordo com o ministro da tutela, "qualquer cenário alternativo será um cenário muito triste para a TAP".

No entanto, "e apesar de muitas incompreensões e de algumas faltas de sentido de Estado que notámos neste processo, continuamos a trabalhar afincadamente para que o resultado seja uma TAP privatizada e bem privatizada" reforçou Pires de Lima.

As propostas vinculativas e melhoradas dos dois candidatos que ainda estão na corrida à privatização da TAP, Gérman Efromovich e David Neeleman, terão de ser apresentadas até às 17:00 do dia 5 de junho, segundo um despacho da ministra das Finanças, publicado na quinta-feira em Diário da República.

O Governo decidiu, na semana passada, em Conselho de Ministros, continuar a negociar a compra da transportadora aérea com Gérman Efromovich e David Neeleman, afastando o consórcio de Miguel Pais do Amaral.

A proposta de Gérman Efromovich, dono da operadora aérea Avianca e do grupo Synergy, inclui a entrega de 12 novos aviões Airbus após a transferência das ações da companhia e a renovação da frota da Portugália com aviões Embraer até 2016, sendo que o empresário propõe recapitalizar a empresa em 250 milhões de euros, segundo informações avançadas pela imprensa.

David Neeleman, patrão da companhia aérea brasileira Azul e que está em parceria com Humberto Pedrosa, do grupo Barraqueiro, promete reforçar a TAP com 53 novos aviões e investir 350 milhões de euros.

A decisão final poderá ser conhecida a 11 de junho.