O jovem soldado que desertou no dia 13 de novembro contou ao cirurgião que o está a tratar no Hospital Universitário Ajou, na Coreia do Sul, que já teve um pesadelo em que regressa à Coreia do Norte.

Quem o diz é o próprio cirurgião Lee Cook-jong, em entrevista à Reuters, onde também acrescenta que o jovem, de 24 anos, lhe contou que entrou no exército norte-coreano logo a seguir ao ensino secundário, com apenas 17 anos.

O jovem, conhecido apenas pelo apelido "Oh", já consegue comer – ainda que apenas alimentos líquidos – e falar.

Ele é um homem muito forte”, afirmou o médico.

O cirurgião relatou que as equipas médicas trabalharam durante dias para remover os fragmentos de, pelo menos, quatro balas do corpo do jovem militar. Tiveram, ainda, de operar os órgãos danificados, remover os vermes intestinais e tratar de patologias como tuberculose e hepatite B.

Entre as lesões principais, o médico cirugião destaca a do cólon, já que este foi destruído por uma bala e teve de ser reconstituído em sete zonas diferentes. 

É uma complicação para o resto da vida. Oh terá de ter muito cuidado com a alimentação."

No voo da fronteira entre as Coreias até ao hospital, os médicos reuniram todos os esforços para manter Oh vivo, chegando a inserir-lhe agulhas no peito devido a um dos pulmões ter colapsado.

A entrada no hospital foi igualmente atribulada, porque Lee Cook-jong confirmou uma hemorragia interna.

Sabíamos que não havia tempo a perder."

Os militares da Coreia do Sul já se mostraram interessados em falar com Oh, mas o médico pediu-lhes para terem calma, já que a prioridade neste momento é a recuperação do militar.