O deputado do PCP, Miguel Tiago, após o encontro entre parlamentares e membros da troika, na Assembleia da República, considerou que Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional quer portugueses ajoelhados para que «custem menos e façam mais».

«Os membros das instituições estrangeiras vieram dizer que, se os portugueses se ajoelharem a estas políticas e sacrificarem todos os seus direitos, a probabilidade é de que a coisa possa correr bem, mas, atenção, correr bem significa que, depois da aplicação deste pacto, se continuem exatamente as mesmas políticas», disse.

O membro da bancada comunista descreveu que a reunião decorreu num tom «algo novo, mais agressivo, mais político, de confronto, pelo menos com o PCP», referindo-se ao encontro da comissão eventual que acompanha a implementação das medidas do programa de assistência económico-financeira.

«O que nos responderam foi um trabalhador, hoje, custa muito e faz pouco e é preciso substituí-lo por outros que custem menos e façam mais, dando a entender que os trabalhadores portugueses não trabalham o suficiente e é preciso substitui-los por mais novos e que trabalhem mais», continuou.

Para Miguel Tiago, a troika tem uma «perspetiva de correr com os mais velhos do mercado de trabalho, abrindo brechas suficientes no código do trabalho para que esses lugares possam ser preenchidos».

Antes, o líder da missão do Fundo Monetário Internacional, Subir Lall, esclareceu que os representantes das entidades estrangeiras não estão em Portugal para discutir uma redução do salário mínimo, recorda a Lusa.