O último filme da trilogia "As mil e uma noites", de Miguel Gomes, e o documentário de Manuel Mozos sobre o antigo diretor da Cinemateca, João Bénard da Costa, estreiam-se esta quinta-feira nos cinemas portugueses.

"O encantado" é o terceiro filme que Miguel Gomes montou a partir das histórias filmadas ao longo de um ano, baseadas em factos reais, de um país marcado pela austeridade, pelo desemprego e pela e crise económica, e cuja estrutura narrativa se inspira nos contos "As mil e uma noites", narrados por Xerazade.

Neste filme, que se junta a "O inquieto" e "O desolado", já estreados, o destaque vai para a história "O inebriante canto dos tentilhões", sobre homens de vários bairros de Lisboa que fazem criação de tentilhões e organizam concursos de canto entre pássaros.

Apesar de inspiradas em reportagens recolhidas por três jornalistas, na trilogia "As mil e uma noites" a ficção "é muito assumida e é quase delirante", como contou Miguel Gomes à agência Lusa, em julho passado, quando da antestreia nacional da obra.

"Para contrapor à má ficção que é a mentira dos políticos que fazem de conta de que tudo está bem. E essa é a má ficção porque é a ficção que se finge real, que se tenta passar pela real. A boa ficção só pode ser a ficção que se assume como ficção, não quer mentir", disse o realizador.

"O inquieto" e "O desolado" somam cerca de 18.000 espectadores no circuito comercial português. Premiada em vários festivais, a trilogia tem estreia prevista em cerca de trinta países.

Hoje estreia-se também o documentário "Outros amarão as coisas que eu amei", de Manuel Mozos, exibido no DocLisboa 2014.

Este é um filme de memórias sobre o cinéfilo e antigo diretor da Cinemateca Portuguesa João Bénard da Costa, feito a partir de várias crónicas de sua autoria, fotografias e imagens de arquivo.

"Segui o caminho das suas memórias e encontrei o seu amor pela pintura, pelas igrejas, por [Marcel] Proust e [Robert] Musil, por Itália, cinema, Mozart e os seus amigos. Mas o que eu realmente queria era tornar presente o homem de carne e osso, cheio de contradições, um homem livre", afirma Manuel Mozos na nota de intenções.

Falecido em 2009, João Bénard da Costa foi um dos fundadores da revista O Tempo e o Modo, colaborou com a Fundação Calouste Gulbenkian e presidiu à Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal.

Dedicou-se ainda à crítica e ao ensaio e esteve na direção da Cinemateca Portuguesa, primeiro como subdiretor, desde 1980, depois como diretor, de 1991 a 2009.

Este ano estrearam-se, nas salas de cinema, vinte longas-metragens e três curtas de produção e coprodução portuguesa.

"O pátio das cantigas", de Leonel Vieira, é o filme português mais visto de 2015, com cerca de 595.000 espectadores.

Até ao final do ano deverão estrear-se ainda quase uma dezena de filmes de produção portuguesa, entre os quais "A uma hora incerta", de Carlos Saboga - ainda este mês -, "Montanha", de João Salaviza, "Portugal - Um dia de cada vez", de João Canijo e Anabela Moreira, "John From", de João Nicolau, "Amor impossível", de António-Pedro Vasconcelos, e "O leão da Estrela", de Leonel Vieira.