O vice-presidente do Brasil disse hoje esperar que os organismos internacionais tratem «com seriedade» as questões da espionagem, depois de ter sido revelado que os Estados Unidos e o Canadá espiaram o Ministério das Minas e Energia brasileiro.

«Esta espionagem é algo extremamente indesejável. O Brasil já deu uma palavra sobre esta matéria e esperamos que os organismos internacionais cuidem dela com a seriedade que ela importa», disse Michel Temer.

O vice-presidente do Brasil falava aos jornalistas em Lisboa no final de uma cerimónia conjunta com o vice-primeiro-ministro português, Paulo Portas, com quem abordou este assunto.

«A espionagem dos segredos do Estado não é compatível com a ideia tradicional da soberania dos países. Há uma nítida violação da soberania que não é admitida por nenhum país, muito menos pelo Brasil», disse Michel Temer, que hoje visita oficialmente Portugal.

As declarações do vice-presidente brasileiro surgem depois de a imprensa brasileira ter divulgado que os serviços de espionagem dos Estados Unidos e do Canadá colaboraram para espiar as comunicações do Ministério das Minas e Energia do Brasil.

Segundo documentos do ex-analista Edward Snowden divulgados no domingo pela TV Globo, a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos colaborou com o Centro de Segurança das Telecomunicações do Canadá para obter dados das chamadas telefónicas e dos correios eletrónicos do Ministério das Minas, Petróleo e Energia brasileiro.

Por seu lado, Paulo Portas disse que «as relações entre países amigos e aliados se baseiam no respeito escrupuloso por regras da própria soberania de cada Estado».

Paulo Portas e Michel Temer encerraram hoje oficialmente em Lisboa o Ano de Portugal no Brasil e o Ano do Brasil em Portugal, que decorreu entre setembro de 2012 e junho de 2013, com o lançamento de dois livros comemorativos.

A iniciativa, que ainda tem alguns eventos a decorrer até final do ano, realizou mais de 300 eventos culturais e económicos num valor estimado de 12 milhões de euros, tendo-se afirmado como «uma montra do talento e da cultura contemporânea portuguesa» no Brasil.