Michel Temer é tão impopular quanto Dilma Rousseff. De acordo com o estudo da consultora Ipsos, citado pela BBC Brasil, após um mês de Governo, a atuação do presidente interino só consegue 19% de aprovação, um ponto abaixo da apreciação feita sobre a presidente eleita, Dilma Rousseff.

Apesar de Temer ter subido três pontos percentuais face ao último estudo - e a popularidade de Dilma Rousseff ter aumentado de 15% para 20% - a opinião dos 1200 brasileiros inquiridos em 72 municípios destaca-se pelo sentimento de reprovação face ao atual e anterior presidentes.

Ao cabo de um mês no poder, o desagrado face a Michel Temer passou de 67% para 70%. Já o estudo, realizado entre os dias 3 e 13 de junho, com uma margem de erro de 3%, vê reduzir a desaprovação a Dilma Rousseff, de 80% para 75%.

Impeachment concluído no final de Agosto

Alvo de um processo de destituição, Dilma Rousseff, presidente do Brasil, eleita pelo Partido dos Trabalhadores, deverá conhecer se é ou não definitivamente afastada do cargo nos finais do mês de agosto.

O processo de impeachment está ainda em fase de instrução. Depoimentos, provas e argumentos de acusação e defesa serão recolhidos e depois avaliados pelo senador António Anastasia, que irá emitir uma "sentença de pronúncia".

Esse parecer deverá ser submetido ao plenário do Senado no dia 9 de agosto. Se for aprovado por maioria simples (41 dos 81 senadores), o caso de impeachment irá a julgamento. Caso contrário, Dilma Rousseff retomará automaticamente as suas funções de presidente.

Caso Dilma venha a ser julgada no Senado, poderá então ser definitivamente arredada do cargo de presidente do Brasil, se 54 dos 81 senadores votarem nesse sentido.

Investigação prossegue

De acordo com a BBC Brasil, os investigadores responsáveis pela instrução do processo de impeachment consideram haver apenas quatro decretos em que Dilma Rousseff poderá ter excedido os seus poderes de presidente.

Trata-se de diplomas em que terá havido aprovação da presidente e que configuraram novos gastos orçamentais, sem autorização prévia do Congresso.

Num parecer entregue segunda-feira à comissão que analisa o impeachment no Senado, os peritos não tomam qualquer posição sobre a atuação da presidente.

Ouvido pela BBC Brasil, o consultor Diego Prandino sustentou ter sido apenas apurado que Dilma teve uma "participação direta assinando os decretos". "Agora, se há uma eventual culpa ou dolo, cabe aos senadores avaliar."