A estrela da música norte-americana Merle Haggard morreu esta quarta-feira, aos 79 anos, no dia do aniversário. Frank Mull, empresário do músico, disse à Associated Press que Haggard foi vítima de pneumonia e faleceu em Palo Cedro, no Estado norte-americano da Califórnia. Compositor frenético e intérprete único, Merle Haggard tinha regressado aos concertos em fevereiro, poucas semanas depois de ter passado 11 dias no hospital precisamente com uma grave pneumonia.

Numa recente entrevista à revista Rolling Stone, o ícone da country dizia: “Tenho sorte em estar vivo. Podia ter ido para o outro lado se tivesse abusado um pouco mais. Espero apenas estar plenamente capaz.”

Guitarrista magistral, violinista e compositor, Merle Haggard foi um dos que fez o “som de Bakersfield” e ficou para sempre associado ao grupo de “Outlaw” (“Fora da lei”) da música country, que procurava ir contra a corrente comercial que saía de Nashville, a capital do género.

Nascido a 6 de abril de 1937, na Califórnia, Merle Haggard teve uma carreira que durou mais de 40 anos e gerou dezenas de álbuns e “números 1” nos tops, incluindo “Sing Me Back Home”, “Mama Tried” e “Okie from Muskogee”.

Merle Haggard entrou para o Country Music Hall of Fame em 1994. O artista ganhou dezenas de prémios de música country ao longo da carreira, juntamente com três prémios Grammy.

Em 2010, Merle Haggard estava entre vários artistas, incluindo Paul McCartney, que foram distinguidos na Casa Branca, pelo Presidente Barack Obama, na entrega dos prémios anuais do Kennedy Center para as Artes Performativas.

O porta-voz da Casa Branca Josh Earnest disse, esta quarta-feira, que o Presidente dos EUA enviou pensamentos e orações à família de Merle Haggard.

"A sua morte é uma perda para a música country, mas, obviamente, é uma perda também para todas as pessoas que o conheceram pessoalmente", afirmou o porta-voz.

Politicamente, Merle Haggard era um reconhecido republicano e, ao mesmo tempo, um verdadeiro fora da lei. Defendia os seus pontos de vista através das canções, as mesmas que lhe serviam a necessidade de contar a história do próprio percurso.

A ascensão de Merle Haggard ao estrelato começou em circunstâncias suspeitas. Os pais eram pobres e viviam numa carruagem de comboio desativada.

Aos nove anos, o pai de Haggard adoeceu de repente e morreu. O jovem Haggard virou-se para uma vida de pequenos crimes e passou vários anos dentro e fora das instituições.

Mas foi quando esteve quase três anos preso por roubo em San Quentin, prisão que acolheu um concerto de Johnny Cash (de quem era amigo) em 1969 (um ano depois de uma atuação semelhante na prisão de Folsom, também transformada em disco), que Merle Haggard mudou de vida e enveredou pela música. “Mama Tried” é uma canção clássica desse mesmo ano.

A partir daí, Merle Haggard passou a colaborar com algumas das maiores estrelas da indústria, ao longo dos anos. Estreou-se nos discos com o álbum “Strangers”, de 1965, título que era também o mesmo nome da banda que o acompanhava e que integrava o lendário Norm Hamlet, gigante da steel guitar que marcou sempre as canções de Haggard. Merle foi um dos mais produtivos e bem-sucedidos músicos da história da country, com edições regulares até ao final dos anos 80.

A música de Merle Haggard haveria de, anos mais tarde, influenciar gente como os Grateful Dead, os Byrds, Gram Parsons ou os Rolling Stones. Um legado que chega até hoje, visível sobretudo através de Sturgill Simpson.

A década de 90 foi de fraca memória para Merle Haggard, que haveria de protagonizar um regresso no início do século XXI, para nunca mais deixar os palcos. Em 2011 editou o último álbum, “Working On Tennessee”.