
O ex-presidente do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, considera que a eventual privatização da RTP, prevista no programa do partido, será de «difícil concretização».
«Neste momento, no quadro vivido pela sociedade portuguesa, vejo com grande complexidade uma decisão de pôr em causa a RTP, pelas consequências que teria para o objectivo que é invocado por essa decisão», afirmou o professor universitário em Vila Nova de Gaia, citado pela Lusa.
Marcelo Rebelo de Sousa explicou que quem propõe essa medida «ou não está a ver as consequências finais desse processo ou lhe é um bocadinho indiferente», da mesma forma que será «indiferente» o «futuro do serviço público» de televisão.
Para o ex-dirigente social-democrata seria uma acção «suicida em termos de criar canais autossustentados» pelos riscos que coloca na «óptica do funcionamento do mercado».
«A junção de um novo canal generalista vai criar problemas dramáticos aos outros canais privados», declarou Marcelo Rebelo de Sousa perante uma plateia de jovens e disse acreditar «que é um propósito programático de difícil concretização».
«O grande erro dos defensores do canal público», indicou, foi nunca terem feito pedagogia sobre o porquê de ser importante ter uma televisão pública, uma entidade que, para o professor universitário, «não pode viver presa das audiências».
Por seu lado, o presidente do conselho de administração da RTP, Guilherme Costa, absteve-se de fazer comentários sobre a proposta do PSD, dizendo apenas que «a decisão sobre a natureza do serviço público no nosso país é uma decisão que é de natureza política e, portanto, cabe aos políticos fazerem o debate e tomarem as decisões relativamente a isso».
«A gestão tem que preservar o valor económico da empresa no quadro de modelo de serviço público que lhe for definido e enquanto achar que essa tarefa é possível», acrescentou à Lusa Guilherme Costa.
No seu programa eleitoral, apresentado no dia 8 de maio, o PSD propõe privatizar um dos canais da RTP.