O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou novas directrizes de nutrição, revendo o documento em vigor desde 2005. Reduzir ainda mais o consumo
de sal - para menos de 2300 mg de sódio (uma colher de chá, aproximadamente) - é uma das diferenças em relação ao documento
anterior. As pessoas com mais de 51 anos, os afro-americanos e todos os que têm a tensão arterial elevada, diabetes ou doenças
renais crónicas devem reduzir o limite de sódio diário para 1500 mg, seja qual for a sua idade. Esta recomendação dirige-se
a metade da população norte-americana, tendo em conta a incidência de excesso de peso e obesidade (dois terços dos adultos
e um terço das crianças) e todos os os problemas associados.
Para a maioria das pessoas, contudo, o consumo de sódio
excede o limite de 2300 mg por dia, que deve ser respeitdado por quem não tem qualquer problema de saúde. Estima-se que em
média, o consumo diário de sódio se situe nas 3400 mg.
Se há quem pense que estes limites são exagerados e impossíveis
de alcançar, levando a população a nem sequer tentar, também há quem defenda que o USDA devia ter ido mais longe. A American
Heart Association (Associação Americana do Coração) declarou em comunicado que o limite de 1500 mg por dia deveria ser a recomendação
para a população em geral, adultos e crianças.
Em relação às gorduras, a recomendação vai no sentido de reduzir
o consumo das chamadas saturadas de modo a que não nos forneçam mais de dez por cento das calorias diárias. Deve aumentar-se
o consumo de gorduras saudáveis como o omega 3, que existe em alguns peixes (por exemplo o salmão).
O terceiro capítulo
do documento é dedicado ao álcool. É aconselhado um consumo moderado - até duas bebidas por dia - que está associado a uma
diminuição do risco de doenças cardiovasculares e preserva as funções cognitivas ao longo dos anos. Diminui também o risco
de variadas causas de mortalidade frequentes na meia idade e velhice.
Portugueses consomem
ainda mais sal do que os americanos
Em Portugal consome-se ainda mais sal do que nos EUA: cada português ingere,
em média, 4800 mg de sódio (12 gramas de sal), mais do dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde - cinco a seis
gramas de sal. Na Europa somos dos países onde o consumo de sal é mais elevado e também aquele onde a incidência de acidentes
vasculares cerebrais é maior.
No sentido de reduzir o consumo de sal per capita, foi aprovada no Verão passado uma lei
que obrigou as panificadoras a reduzir o teor de sal no pão. Somos o primeiro país no mundo a adoptar semelhante legislação.
Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, se cada pessoa diminuísse dois gramas de sal ingerida diariamente
a taxa de AVC cairia em cinco anos entre 30 a 40 por cento.
Importa saber:
Todos
os hipertensos sabem que devem reduzir o teor de sal na sua alimentação. Mas nem todos sabem olhar para os rótulos dos alimentos
embalados e perceber qual a quantidade de sal que contêm. É que as tabelas nutricionais informam normalmente sobre o teor
de sódio e não de sal. O sal (cloreto de sódio) é o principal fornecedor de sódio na nossa dieta, mas não é o único. O sódio,
componente do sal que faz aumentar a tensão arterial, existe também em conservantes (nitrito de sódio e nitrato de sódio),
adoçantes (ciclamato de sódio e sacarina sódica), fermentos (bicarbonato de sódio) e intensificadores de sabor (glutamato
monossódico).
O que importa saber é que seis gramas de sal equivalem a 2,4 gramas de sódio. Ou seja, 2400 mg de
sódio, o limite máximo diário recomendado para pessoas saudáveis.
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