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Perturbação obsessivo-compulsiva no pós-parto: é possível prevenir

Por: Ana Esteves  |  12- 9- 2011  16: 57

grávida

O pós-parto é um período especialmente vulnerável na vida de uma mulher. É normal que surjam alguns sintomas depressivos, alguma ansiedade ou alterações de humor. Também é normal haver receio de não conseguir proteger o bebé de tudo o que de mau pode acontecer. Mas por vezes, o desequilíbrio emocional deixa de ser normal e surgem perturbações psiquiátricas mais ou menos graves. A mais frequente é a depressão pós-parto, mas não é a única.
Há mães que desenvolvem uma Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) em que o bebé é o centro da obsessão. Esta perturbação pode estar associada à depressão e acontece quando a preocupação normal com o bem-estar do bebé, ou o instinto de protecção, atingem níveis tão intensos que se tornam patológicos. Por vezes, põem em risco o próprio bebé.
A mãe começa a desenvolver rituais repetitivos que não consegue evitar. Como lavar o bebé vezes sem conta para o proteger de micróbios e bactérias. Há casos em que a pele do bebé fica tão sensível após este tratamento diário que começa a ganhar feridas.
Segundo Kiara Timpano, uma investigadora da Universidade de Miami, EUA, que estudou o fenómeno, entre dois e nove por cento das mães desenvolvem esta perturbação, num grau de intensidade que pode ser variável, durante o período sensível do pós-parto. Na população em geral, um por cento das pessoas são afectadas. O objectivo de Kiara Tímpano, foi saber se existiria alguma forma de prevenir o problema.
Apesar de não se conhecerem as causas que desencadeiam a perturbação, sabe-se que as mulheres que sofreram antes da gravidez, em algum período das suas vidas, perturbações de ansiedade ou Perturbação Obsessivo-Compulsiva têm mais probabilidades de vir a ser afectadas no pós-parto.
Foram envolvidas na pesquisa 71 grávidas que tinham tido, antes da gravidez, episódios de ansiedade, mas não chegaram a sofrer uma perturbação severa.
As mulheres foram divididas em dois grupos: um participou num programa normal de preparação para o parto e para a maternidade; o outro teve sessões específicas de consciencialização dos primeiros sinais de Perturbação Obsessivo-Compulsiva e aprendizagem de técnicas para lidar com esses sintomas e não os deixar evoluir para situações graves. As mães foram depois avaliadas em três momentos no pós-parto: quando o bebé completou um mês, três e seis.
As mães que participaram nas sessões específicas sobre Perturbação Obsessivo-Compulsiva revelaram menos ansiedade durante o pós-parto e foram mais capazes de não se deixar dominar pelos seus «pensamentos intrusvos». Ou seja, é de facto possível prevenir o aparecimento da Perturbação Obsessivo-Compulsiva, em grande parte dos casos em que existem sinais prévios de predisposição para o problema.
As conclusões do estudo foram publicadas no Journal of Psychiatric Research.

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